segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quando eu iria superar você?



E assim consigo dormir mais um dia, passar mais um dia, viver mais algumas horas, sem ligar pra única pessoa que eu queria ligar. Consigo seguir em frente mais um dia sem ligar pra ele. Consigo distrair meus dedos, minha mente, meu peito, minha violência, meu buraco, minha vertigem, meu soco no estômago, meu desespero, meu automático, meu extinto contrário, minha curiosidade infantil mas sempre com resultados duros demais para uma criança, minha vontade de enfiar o dedo na tomada só pra sentir a descarga mortal que tanto parece com impulso de vida. Consigo distrair os batimentos cardíacos que sinto em lugares do meu corpo que ainda queriam mais um toque dele. E partes da minha pele que saem buscando porque ainda não receberam a informação do fim, o sangue ainda não levou a má notícia para meu corpo todo. E consigo distrair minhas roupas, que querem se mostrar, cada dia uma diferente, para ele. Só para ele. E distrair meus ouvidos loucos pela sua voz. E distrair meus pés loucos pra encaixar atrás da sua batata da perna. E distrair minha língua, querendo decodificar e marcar cada centímetro das suas estranhezas. E distrair a crença cansada, a saudade renegada. Distrair essa sobrinha de você que continua enorme, mesmo sendo, agora, uma sobrinha. Quando eu iria superar você?



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sábado, 28 de maio de 2011

Tudo isso porque





dizem que a gente tem o que precisa 
e não aquilo que a gente quer...


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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sabe porque o silêncio confunde tanto?




Pois ele esconde palavras 
que gostaríamos que fossem ditas.



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maio já está no final...




Eu preciso de alguém
sem o qual eu passe mal
sem o qual eu não seja ninguém
eu preciso de alguém...



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quarta-feira, 25 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

sem sono




dificuldade de dormir, pensamentos tortos, lembranças desconexas mas, ao mesmo tempo, reais, fatos antigos, dores novas, como se aquela cama não fosse minha, o que só me deixava cada vez mais distante do sono (sonho) que era meu... 


aquela angústia no peito que causa uma leve taquicardia; 

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

pra seguir em frente





eu só queria ter a certeza de que essas escolhas que a gente faz, que aquilo tudo que temos que abrir mão a todo momento ou todas essas situações que temos passado vão valer a pena no futuro; que vamos poder olhar pro nosso passado e ter a certeza de que esse sofrimento não foi em vão e que o caminho tortuoso fez parte do nosso crescimento; eu acho que essa vontade de que as coisas façam sentido é que dá um pouco de força pra gente seguir em frente mesmo diante de todas as adversidades.


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domingo, 22 de maio de 2011

saudadezinha...






Ainda que eu esteja numa fase bacana e sem nós no peito (o que por um lado é ruim pois a paz sempre me dá alguns quilinhos a mais), resolvi embarcar num momento nostalgia.

Acho normal. Acho perfeitamente normal lembrar com carinho que você sempre dava um jeito de me mandar mensagens em datas festivas. Estivesse você casado ou namorando ou ilhado num templo budista, dava um jeito(*). Era como se dissesse, sem dizer “eu sei que já faz tempo, mas ainda amo você”.
Também me faz bem lembrar que você nunca, nunca, nunca se alterava. Trouxesse o garçom o pedido errado pela terceira vez ou fizesse um playboy qualquer uma tremenda barbeiragem em cima do seu carro. Você nunca estragava nossas noites. Eram tão raros os nossos momentos, você dizia, que eram para ser sempre bons. E de fato sempre eram.
Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: sua leveza. .
Eu tenho saudades de tudo. Não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe. E, quem diria: leve.









(*) isso é tão eu


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sábado, 21 de maio de 2011

Um copo de água







Eu mastigava com culpa cinco daquelas bolinhas de amendoim. Não era culpa, era ansiedade. Não, era tédio. Minhas amigas conversavam longamente sobre algo que não me interessava nem por um segundo. As chatices do marido, as chatices do trabalho, as chatices do trânsito. Minha vida não é chata. Desde muito novinha decidi que minha vida não seria chata. Eu inventaria um trabalho, uma casa, um dia, um modo, um jeito. E inventei. As festas na Carol sempre tinham comidas incríveis mas, naquele dia, eram só bebidas. Eu não bebo. Quer dizer, agora, de vez em quando, comecei a beber só porque entendi quando me falavam que sem álcool é tudo muito pior. Então passei a beber pouco. Uma taça de vinho? Mas naquele dia eu não podia beber porque não tinha comido e também porque não estava a fim. Eu estava a fim de ir embora. Voltar pra minha vida que não era chata mas ficava chata quando percebia que eu tinha uma vida dentre todas aquelas vidas que se faziam perceber. Olhei pra porta. Ela abriu e você chegou. Eu não te via há 3 meses e alguns dias. Foi então que o narrador do meu cérebro pigarreou e mudou o tom. Eu me narro tudo desde que me tenho por cérebro. Como se o tempo todo eu me contasse e contasse o mundo. Para ver se eu existo e se o mundo existe. Para ver se eu me suporto e se suporto o mundo e se o mundo me suporta. É insuportável, mas o tempo todo minha cabeça narra tudo. Minuciosamente, detalhadamente, dolorosamente. O tempo todo eu cavoco o segundo, o pó, a pele, o que se diz, o que se parece. Tentando narrar o mais profundo do profundo do que eu poderia narrar. Só pra responder o mais profundo do profundo do que eu poderia perguntar. Então o narrador começou dizendo assim "e então ele entrou por aquela porta". Você entrou por aquela porta. Eu apertei o braço da Fernanda: "é ele! Ai, meu Deus, é ele". Quem, Tati? Ele. Mas qual dos "eles"? Você tem tantos "eles", Tati. O último. Você era o último homem que eu tinha amado e, portanto, o "ele" da vez. Com seu cabelo alto, largo, rococó. Eu amo seu cabelo. Amo os cachos mais brancos que parecem ornamentos rococós para suas orelhas. Os puxa-sacos te abraçam. Eu percebo quem gosta de você e quem só te abraça porque um dia pode precisar de emprego. Alguns te abraçam gostando de você. E então eu fico feliz, porque eu gosto que gostem de você. Porque você é o tio da Lia, a bebezinha que pensa muito antes de rir pra qualquer bobagem. Você é o cara que, quando foi embora, me deixou sentindo uma dor bem enorme, mas eu gosto de você, você não fez por mal. Seu mal nunca foi por mal. Então, eu gosto que gostem de você. E o narrador me narra seus tênis sempre tão publicitários. Seus pés gordinhos e pequenos e tão perfeitos pra carinhos. E narra sua roupa de chefe descolado. E narra o segundo em que você me percebe na festa e cochicha no ouvido do seu amigo alto. E narra todas as infinitas vezes em que você passou por trás de mim, esperando que eu me virasse e concordasse com seu "oi" cordial. Preferindo que eu não me virasse, assim você podia não sentir essas coisas complicadas todas que sentimos juntos. Então, cansada de te narrar, chamei firme seu nome, com um sorriso maduro. Mordendo a língua que tremia batendo no céu da boca. Minha língua, quando te vê, quer logo te dizer coisas lindas e assustadoras. Então é uma luta prendê-la no céu, deixando na terra apenas meu cordial "oi" que você queria sem querer. Então fomos pegar água. Brindamos com a água. Você com sua mania de conversar quase dentro da minha cara. Eu vesga de te ver tão perto. Seu charme míope e inseguro. O menino inseguro que conversa colado na minha retina. Que insegurança é essa? Eu não te pergunto nada, apenas desejo tanto você que sorrio como se não me importasse com sua existência. Mas você resolve se explicar mesmo assim. Porque "seus olhos estão sempre me perguntando algo", você diz. E você começa sua loucura que me faz gostar ainda mais de você. Empurra a palma contra o peito e diz "eu gosto assim, Tati, fechado, protegido, eu gosto". Então você olha para o meu copo d'água e diz: "eu sou só um copo d'água, mas você ficava me olhando e pensando nas bolhas e nos gelos e nos canudinhos e na transparência e se a água era isso ou aquilo. Água é só água, por que você complica a água, Tati?". Então apagaram a luz e eu quis me esconder dentro do seu paletozinho de publicitário descolado e ouvir suas batidas descompassadas e embaladas pelo seu cheiro de alma boa. Mas você pegou na minha mão e continuou dizendo que uma mão, muitas vezes, é apenas uma mão. Mas que eu insistia em enxergar os buracos entre os dedos, os anéis que separavam os dedos, a dor da separação dos dedos, a gota da bebida gelada entre os dedos. E que você não poderia suportar isso. A maneira como eu te olhava. Vendo mais, inventando mais, complicando mais. E eu quis te dizer que tudo bem, eu seria uma menina simples. Eu mataria meu narrador, minhas possibilidades, meus mundos, minhas invenções. Só de ver seus cachos mais grisalhos e rococós ornando seus medos e superficialidades eu desejei não ser mais eu pra ser qualquer coisa que pudesse ser sua. Mas enchi meu peito surrado e murcho de coragem e te disse que, infelizmente, onde você era apenas um copo d' água eu era a tempestade.





                                          por  Tati Bernardi

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sexta-feira, 20 de maio de 2011



A tarja preta virou o pretinho básico.


                                                          é claro, por Tati Bernardi

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

e se...



E se eu (NÃO) tivesse me apaixonado por ele? 
Se eu não tivesse desistido de ligar pra ela? 
E se eu tivesse feito aquela viagem? 
Tivesse ido a aquele show?
E se eu tivesse feito aquele curso? 
E se eu estivesse em outra turma? 
E se eu tivesse visto mais o pôr do sol? ou as luas?
E se existisse mais poesia na vida?
E se eu corresse mais atrás dos meus sonhos?


E se sorrisos francos, 
beijos doces, 
abraços apertados 
e declarações de amor 
não fossem coisas coisas raras, 
mas sim parte de nossos cotidiano.


E se eu não tivesse puxado assunto? 


E se…?


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no silêncio




sabe quando a gente precisa 
daquele abraço silencioso 
daquela pessoa que compreende essa nossa necessidade.

é disso que eu tô falando...

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Existem dois remédios que curam qualquer mal:



 o tempo e o silêncio


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quarta-feira, 18 de maio de 2011


Queria que alguém tivesse medo de me perder...

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terça-feira, 17 de maio de 2011

Uma coisa é certa:



está tudo errado. 



                                  [Caio Fernando Abreu]

sempre vai faltar alguma coisa?




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domingo, 15 de maio de 2011

não enviada




Ontem eu escrevi uma mensagem no meu celular, mas não enviei; até porque eu não preenchi o destinatário, e talvez essa fora a intenção inicial. Escrevi de madrugada porque estava precisando conversar com alguém, ou talvez comigo mesmo. E foi o que eu tentei fazer... 

"Não posso reclamar da minha vida, mas tem horas que gostaria que ela fosse diferente!  Quando será que vou atingir isso? Às vezes me parece tão difícil, será que é assim pra todo mundo?"


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sexta-feira, 13 de maio de 2011

o vencedor




Venho por meio dessa lhe informar do prêmio. Será entregue em sua residência. Em plástico bolha, fita crepe, caixa de papelão, papel dourado espelhado. 

Pode colocar na mesinha preta, ao lado daquele troço legal que sua mãe te deu. Uma peça de design chique e um coração ensanguentado
Vão te perguntar de onde vem aquele coração e você vai ter mais uma história pra contar baixinho, no ouvido das garotas: essa é boa, quer ouvir? Eu no meio de suas carrancas, cabeças de faraós, estrelas e leões. O vencedor.
Pode voltar a respirar, pode fechar a janelinha emperrada da cozinha. Caso fique pesado para a sua decoração, me deixe com os bonequinhos do banheiro
Não serviu a saudade que eu sentia só porque você espremia saquinho por saquinho do shoyo longe de mim. Nem era longe, era logo ali, mas eu sentia saudade. Você queria uma prova, você queria a cabeça pra levar pro rei do seu peito. Você queria decapitar a mente que poderia te magoar.
Eu jurei, um dia, vendo você dormir e gostando tanto de você pra pouco tempo, que não teria medo e seria doce e não escreveria uma linha e você seria o escolhido pra não ser mais um escolhido.
Mas você levou meu coração, então só me resta a maldade, a bondade contrariada, que sempre me faz recorrer ao lugar comum de escrever um texto. O lugar onde tanta gente já esteve, o que é uma mentira só pra te ferir. O amor não é um jogo mas você ganhou. 
Daqui a pouco você vai se perguntar o que faz exatamente com isso, se não era melhor ter me deixado com o coração, assim eu poderia continuar gostando de você. Eu gostar de você só é um mérito se eu puder ir junto.
Talvez você me mande de volta o prêmio, a caixa rasgada, o papel dourado amassado, o laço frouxo, o coração assustado. E me peça que continue apenas sentindo saudade de quando você demora com os saquinhos de shoyo. 
Pra gente voltar de onde se tem coragem. De onde a pressa é angustia solitária e não um caminhão de lixo que se joga no outro. De onde a insegurança é um gatinho preso numa jaula alta e não um tigre alimentado pelo ego. O amor recém-nascido e alimentado com água pura. Eu estava nele quando você achou que diminuindo seu ritmo você aumentaria suas chances. 
O triste, e por isso eu te ligo e reclamo que é solitário, é que enquanto você pensa em chances, ritmos e ganhos, eu só penso em você.



                                        é claro, escrito pela fodona da Tati Bernardi


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vazio;



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terça-feira, 10 de maio de 2011

telegrama




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existe?




Por que você olha tanto pro celular? Existe alguém no mundo, nesse momento, que poderia te ligar agora e te deixar feliz?
                                                            Tati Bernardi

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Antony and The Johnsons



porque eu gosto das versões:
essa muito em particular      

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Aline




Toda vez que a gente escolhe uma coisa, várias outras ficam pra trás. E aí bate a dúvida - Será que essa cidade, esse emprego, essas roupas são as melhores pra mim? Será que essa história de amor é a minha? Se essas perguntas forem feitas com medo quem responde é a cabeça, mas se forem feitas com amor quem responde é o coração. E o coração nunca se engana!

                                                                                Tati Bernardi in "Aline"

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

28







Um dia ouvi dizer que a nossa vida é como uma mala de bagagens, onde vamos armazenado muitos pensamentos durante nossa existência terrena; 

E eu sempre fui armazenando emoções e experiências na minha. Pra ser sincero, até mais do que deveria, mas como as pessoas vivem me dizendo, é por causa de todo esse aprendizado que eu sou tudo isso que sou hoje. 

Ouvi dizer ainda que sempre guardamos os aprendizados que melhor nos convém; 

Hoje, me convém armazenar os aprendizados que possam fazer da minha vida e daqueles que eu gosto um lugar melhor. 


Isso é o que se chama amadurecer, crescer;


O processo é lento, quase que imperceptível, acontece aos poucos, e você é tão distraído que quando se dá conta, acredita que passou voando

Um dia você se vê sozinho no parquinho, quando seus pais viram as costas e te deixam aos cuidados da 'tia', e no momento seguinte se vê diante da dolorosa tarefa de ser adulto e ter que ter responsabilidade. (Acredite, o tempo voa!)

Nessa hora você para e pensa: o que você estava fazendo nos intervalos da vida que não parei pra ver que a vida estava passando?

Bom, um conselho que eu te dou, é que se um dia você conseguir chegar a uma resposta satisfatória sobre essa questão, patentie e escreva um livro que você vai ficar rico, por mais que hoje, você não entenda 'patavinas' do que eu tô falando, vai por mim, quando chegar a sua hora de passar por isso, você entender nítidamente cada uma dessas palavras; 

Hoje, na minha vida, eu decidi o que é necessário na minha bagagem: o amor, o carinho, sinceridade, os amigos, a familia, prazer de viver, saúde, paz, e é claro, não necessáriamente nessa mesma ordem. 

Quero muito deixar esse ensinamento que trago em minha mente sempre, aprender nunca é demais, já aprendi tanto e com certeza, nós ainda iremos aprender muito. Alias, eu acho que já mencionei o fato da vida ser um aprendizado né? 


Rs... 


Eu não posso apagar as mágoas e as dores do seu passado, nem posso decidir qual será o meu ou o seu futuro, mas no presente eu posso começar a mudar o resto da minha/nossas vidas; 

As nossas alegrias, triunfos, felicidades pertencem somente a nós, ficam guardados como relíquias da alma, mas os nossos risos e sorrisos, fazem parte das pessoas, porque como diz um amigo, tem gente que você nem conhece que é apaixonado pelo seu sorriso

Putz! Já parou pra pensar no peso dessa afirmação? É o velho e bom ditado: "Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas"

Então é isso, aproveite pra ser feliz, realize seus sonhos; 

A dimensão maior de nosso eu está na nossa infinita capacidade de sonhar e também na nossa força e determinação em realizar e ir atrás de cada um de nossos projetos e desejos... 


Então vai atrás... Vamos atrás... 



                     Me segue, no caminho eu te explico, ok? 


                                        Yip yip uhaaaaa! 



Felicidades pra mim... Porque eu enrolei, enrolei, só pra dizer que:


                                   é meu aniversário...

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domingo, 8 de maio de 2011

confesso




Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente… um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertecendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade… quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: “Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.” Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso. Confesso que agora só espero você.”



                    por Caio Fernando Abreu

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mães








"Mães, geralmente é a vocês que cabe a educação dos filhos, sobretudo no capítulo modos à mesa, arrumação do quarto etc.



(...)

Seja rigorosa! Eles vão te odiar, às vezes
Você vai querer esganá-los, freqüentemente
Faz parte entre as pessoas que se amam. 
Mas um belo dia alguém vai dizer o quanto seu filho é educado, prestativo, gentil, querido. Você vai desmaiar de surpresa e felicidade.

Eu nunca me esqueço daquela história da mãe que se dirigiu a uma especialista em boas maneiras para saber com que idade ela deveria colocar seu filho no curso. Ao saber que o filho estava com três meses de idade ela respondeu: “Mas talvez já seja muito tarde!”.

Não morra de vergonha se seu filho der um vexame na frente dos seus amigos. 
Não valorize os erros nem dê bronca em público. 
Nunca trate a criança com se ela fosse uma débil mental, elas entendem tudo!

Use sempre um bom vocabulário. 
Isso aumenta a capacidade lingüística das crianças e não fique para morrer de culpa se algum dia precisar frustrar seu filho, tipo promessa que não pode ser cumprida, etc.
Apesar do que dizem os especialistas, uma frustraçãozinha de vez em quando prepara a criança para aprender a suportá-las quando no decorrer da vida elas infelizmente acontecerem.

Ensinem, obriguem seus filhos a cuidarem da bagunça que fazem. 
O copo de Coca-Cola? De volta pra cozinha. 
A revistinha que acabou de ler? Para o quarto. 
Os milhares de papeizinhos de Bis? Amassar e jogar no cinzeiro.

A lista não tem fim porque a imaginação de uma criança para instalar o caos onde quer que esteja é também infinita.

(...)

Em compensação, na frente dos netos, faça tudo que não deve e muito mais! 
Netos costumam adorar avós, digamos, fora dos padrões. 
É que eles sabem que vão poder contar com elas 
como fortes aliadas nas crises de caretice dos pais."






[Danuza Leão]
recitado/cantado por [Fernanda Montenegro] 
[Filtro Solar]




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quinta-feira, 5 de maio de 2011

como nos contos de fadas

Frequentemente eu abro meu baú de memórias a procura de fatos e acontecimentos esquecidos e muitas vezes me deparo com momentos bons que na correria em que vivemos acabamos deixando pra trás. Hoje, na sessão nostalgia do dia dei uma passada por cartas antigas e achei textos de pessoas queridas. 
Eu já recebi poemas feitos especialmente pra mim, recebi também textos e poemas cujo o leitor se identificou muito e achou que era especial ao ponto de parecer com as nossas vidas, já recebi desabafos, críticas e um porção de outras coisas que nos impulsiona porque não podemos ficar inertes à este explosão de sensações, sejam positivas ou negativas. As nossas lembranças são extra-sensoriais e, muitas vezes, inexplicáveis.
Não sei, mas acho que é a proximidade do nosso aniversário que faz com que a gente fique mais sensibilizado a determinadas coisas. Por isso, resolvi  dividir as palavras que encontrei no meu baú, mostrando a vida por um outro ponto de vista que não o meu.
Assim, vou transcrever, na íntegra, o texto que eu recebi (da Xuxuby's ou Juliana M.P.O) e já emocionou (como também fez chorar) algumas pessoas hoje:




//~//
Bom, eu sei que todo mundo aqui, já jogou videogame pelo menos uma vez na vida, e sabe que sempre tem uma fase ou outra que é super difícil, mas na maioria das vezes, quando você passa esse tipo de fase, vem aquela de bônus, que você só sai pegando as argolinhas e não tem monstro nenhum pra tentar te comer.

E pensando bem, com a gente também é assim. É como se a nossa vida, fosse um jogo de videogame. Você passa por um monte de coisa ruim, e um monte de gente que parece tentar te destruir, mas ai quando você consegue vencer até o poderoso chefão do final da fase, você vai pro paraíso e passa só por coisas boas.

E isso é um ciclo; hora fase ruim, hora fase boa.
E você não pode esquecer, que não importa, quão ruim seja a fase que você tá passando, quando acabar, vai vir alguma coisa muito boa pra você.
É assim mesmo.
//~//
E ai, hoje eu queria te prometer algumas coisas que eu nunca prometi.

E com a mais completa consciência de que só deve se prometer o que se pode cumprir.

Eu; eu prometo que tudo vai se resolver.
E que a fase das argolinhas ta mais perto do que você imagina.
E prometo mais; prometo (dessa vez, não só por mim) que você nunca vai ficar sozinho.
//~//


Não é simplesmente fantástico?
Tudo vai se resolver e eu NUNCA vou ficar sozinho... 
Porque eu acredito em promessas, 
principalmente porque elas tem que ser cumpridas! 





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quarta-feira, 4 de maio de 2011

diálogos aleatórios






          - ainda não entendi... 
          - há muito o que dizer e há pouco a se entender. 
          - as coisas funcionam assim? 
          - deve ser... 


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segunda-feira, 2 de maio de 2011

#Cazuza: 'Poema





Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa

Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás


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domingo, 1 de maio de 2011

tenho questionado muito este pensamento





amigos que são amigos,
ficam do seu lado, 
sem saber o motivo.



talvez eu tenha usado o título errado, o que pode levar a uma interpretação errônea da frase acima; porém, no fundo acho que está tudo interligado. 
eu tenho questionado algumas atitudes minhas para com os meus amigos e vice-versa; do mesmo modo que eu tenho observado esse comportamento nas pessoas próximas e tenho ficado bem preocupado com o que tenho concluído, por isso a frase, por isso o título...


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