terça-feira, 30 de novembro de 2010

me diz...

           [...] que vai ficar tudo bem!




                                  Mesmo que isso não seja a VERDADE!



                                        Eu preciso ouvir isso ao pé do meu ouvido
                                                    enquanto afagas o meu cabelo;




                                          Pra que as coisas façam SENTIDO
                                                    mesmo que,         
                                                                contraditoriamente,
                                                                         sem lógica...





                                     Eu preciso de um pilar de sustentação;
                                                   pois eu não sou a MURALHA
                                                        e isso é claro e paupável,
                                                                depende, apenas,
                                               da sensibilidade daqueles que enxergam;


                                                         [...]
                    
                                              "E o rosto se desfez em pó..."

                                                                                                    e FIM...



                          |você sabia...|

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu nunca disse que iria ser ...

Aqui / Eu nunca disse que iria ser / A pessoa certa pra você / Mas sou eu quem te adora /  Se fico um tempo sem te procurar /  É pra saudade nos aproximar / E eu já não vejo a hora / Eu não consigo esconder / Certo ou errado, eu quero ter você / Você sabe que eu não sei jogar  / Não é meu dom representar / Não dá pra disfarçar / Eu tento aparentar frieza mas não dá / É como uma represa pronta pra jorrar / Querendo iluminar / A estrada, a casa, o quarto onde você está / Não dá pra ocultar / Algo preso quer sair do meu olhar /  Atravessar montanhas e te alcançar / Tocar o seu olhar / Te fazer me enxergar e se enxergar em mim / Aqui / Agora que você parece não ligar / Que já não pensa e já não quer pensar / Dizendo que não sente nada / Estou lembrando menos de você / Falta pouco pra me convencer / Que sou a pessoa errada [...]

so please don't stop the rain...




                                  ...ou talvez
                eu só precise de férias,
                            um porre
                     e um novo amor.


              É!
                 Talvez...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

diálogos aleatórios


Sabe, eu fico me perguntando.

O que?

Porque você age desta forma.

De que forma?

Assim... como esta fazendo agora.

E como eu estou fazendo agora?

Está acoado. Como se tivesse medo das pessoas.

Bom, eu tenho medo das pessoas.

Besta! To falando sério. Você não deixa eu me aproximar.

Como assim? Você já está do meu lado, quer sentar o no meu colo? Preciso lembrar que estamos em público?

Mais uma vez... Age com o intuito de repelir qualquer proximidade.

Não acho que seja desta forma que você está falando.

Eu acho.

Desde quando você pensa isso sobre mim?

Não sei ao certo, mas tenho pensando muito sobre isso.

Como assim tenho pensado muito sobre isso? Você fica me analisando?

Está fazendo de novo.

Não tô!

Está... eu sei que isso pode ser uma maneira protetiva, o que eu quero saber é o porque disso tudo. Porque você se mantém tão distante das pessoas.

Você está generalizando?

Sim. Acho que você age desta forma de uma forma geral, a intensidade depende apenas da sua intimidade com o outro e a extensão do contato.

Talvez eu saiba o que você está falando.

Acho que você sabe muito bem do que eu estou falando, mas se não quiser falar sobre isso eu vou entender.

Você sabe que é difícil conversar sobre determinados assuntos, ainda mais pra mim, que reluto a falar sobre sentimentos, pelo menos no que tange os meus.

Sim eu sei, é bem visível tal situação, mas queria poder ajudar.

Não sei se você pode, mas agradeço a tentativa, já mostra que você consegue ver o que está aquém das palavras, mas estampado nos olhos, sem contar que tem a disposição pra tanto. Realmente, muito obrigado.

Você não precisa me agradecer vai, para com o formalismo. Vem aqui e me dá um abraço que ta tudo bem...

Promete que vai ficar tudo bem?

Sim, eu prometo...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010


Waiting for someone
 (or something)
to show me the way...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

eu não consigo...




Então;
Disfarçar minha dor eu não consigo;
Dizer: somos sempre bons amigos;
É muita mentira para mim...


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pra que se vive?




 
Sempre me perguntei pra que se vive, afinal. Quando eu era criança achava que eu vivia porque assim meus pais queriam. Me colocaram no mundo, me deram de comer (...) Me entucharam de brinquedos e de alertas. O mínimo que eu podia fazer por eles era seguir respirando, acordando, passando fio dental, indo ao banheiro pelo menos depois de comer ameixa. Depois, quando eu era adolescente, achei que a gente vivia para gostar de alguém. Se tivesse ao menos um garoto bonitinho na escola, valia a pena acordar cedo. Se tivesse ao menos um garoto bonitinho no inglês, valia a pena abrir mão da sonequinha da tarde. Se tivesse ao menos um garoto bonitinho irmão de uma amiga, valia a pena encher o saco da minha mãe para dormir na casa da amiga. Só podia ser isso! Ou se vive pra estudar matemática? Geografia? Comer legumes? Não podia ser. A única coisa que podia ser, era viver pra sentir o coração disparar por qualquer garotinho bonitinho. De preferência um que tivesse sardinhas no rosto ou furinho no queixo.
No final da adolescência, eu comecei a achar que se vivia pra ser alguém. Entrar na faculdade. Arrumar um emprego. Ser alguém. Fiz tudo isso. Entrei na faculdade. Arrumei 456 empregos os quais larguei 456 vezes. E nesse tempo todo fui vários “alguém” e nenhum alguém 456 vezes. Porque ser alguém não tem nada a ver com essa vontade desesperada de ser alguém. E continuei sem saber afinal para o que se vive. Porque a faculdade e o deslumbre com os primeiros dias de trabalho são espaços curtos demais para uma vida inteira. Não se vive exclusivamente pra isso. Não se vive pra pegar trânsito, ter um chefe que tira uma vírgula sua e coloca em outro lugar só pra mostrar que é seu chefe. (...) Definitivamente não se vive pra isso. E lá ia eu pedir demissão pra tentar descobrir pra que se vive. Será que para salvar as criancinhas, o planeta, os animaizinhos, os osentados, as árvores, as praias, as formigas?
Não, não se vive pra mudar o mundo, o bairro, meu quarto. Porque a gente não muda nem o jeito de escovar os dentes. Essa é a verdade. Daí achei que vivemos para fazer o que gostamos e ponto final. Como se fosse uma missão para a qual Deus nos enviou. (...)  Aí achei então que se vive para as pessoas. Se você tem dez pessoas de quem gosta muito, taí um motivo para se viver. E eu gostava mais ou menos disso: de dez pessoas. (...) E eu e minhas dez pessoas viveríamos bem até os últimos dias... Mas não é bem assim que funciona, vocês sabem. As pessoas casam, mudam de país, resolvem ficar chatas, resolvem te achar chata, resolvem não beber mais vinho. Infelizmente não se vive para as pessoas. E quanto mais os anos passam mais você descobre que as mil pessoas maravilhosas viram cem que viram dez que viram duas. E essas duas são insuportáveis, mas são as que sobraram. E você intercala as duas pra não se irritar em dobro.
Ahhh tudo é tão chato, não é mesmo? Foi então que descobri que talvez se viva para dormir. (...) Minha casa não tem telefone. Dormir, dormir, dormir. Para nunca mais pensar pra que se vive.
E quem disse que dá certo? Eu sonhava toda noite que percorria o mundo atrás da mesma pergunta. E sonhava com velhos sábios, meus coleguinhas do primário, minha professora de yoga, meu 456 ex namorados (definitivamente não se vive para nenhum deles, até porque se você faz isso, eles saem correndo rapidinho), meu avô, um rato morto, um assaltante, a novela das oito, sei lá. Eu percorria o mundo atrás da resposta. E acordava cansada e com mais sono. Esse negocio de dormir não resolve o problema de ninguém. (...) E segui procurando. Talvez a gente viva pra conhecer o mundo, pra andar numa motoquinha em Paris, pra ouvir todas as músicas lindas, pra ler todos os livros bons, pra fazer sexo com amor, pra sair dando pra meio mundo, pra pagar os pecados, pra dançar, pra quebrar o pau com todo mundo, pra ser superficial ou leve e adorar todo mundo como se fosse possível viver em paz aceitando todos e sendo aceita. Pra malhar a bunda, pra chorar num concerto no Teatro Municipal, pra comer um doce, pra ver o Wagner Moura com aquela cara de macho, pra assistir “Love in the Afternoon” do Billy Wilder, pra levar a Lolita no dentista de cachorros, pra olhar ele pela última vez que nunca é a última vez e chorar pela última vez que nunca é a última vez. Tudo isso? Nada disso? E segui procurando. Então pra que? Pra quem? Por que? Por que acordo todos os dias? E nessa de tanto perguntar, não é que descobri! Eu acho, de verdade, do fundo da minha alma, que se vive única e exclusivamente para se viver.
 

domingo, 21 de novembro de 2010

Enquanto alguns corriam, ela só queria parar.


[...] Como quando a pessoa está cansada de saber da dor do dia seguinte mas insiste em congelar um dia. E saiu do carro com delicadeza e uma esperança infantil de eternizar segundos. [...] Três coisas facilitaram que ela achasse a vida muito divertida: o óculos escuro vagabundo que ela ganhou no casamento, as havaianas pra quando o pé cansasse e o fato de que a noite ia começar quando o dia já estava para nascer.  [...] Ela se transformava em personagem para enganar a vida chata e todas as suas imperfeições.  [...] E querer um pedaço da coberta mas não ter mais permissão para querer. E querer um abraço mas não ser mais permitido ganhar isso. [...] E querer ser vista mas não ser mais permitido existir. [...] E esperei sofrendo o momento em que ela se olharia no espelho e diria com os olhos borrados que sua ficha caiu. E esperei ela resgatar pelos cantos não íntimos, em silêncio e sem cúmplice, tudo o que era seu com medo de deixar algum rastro ou parecer boba.  [...] E ela finalmente saiu. Ela e seu sorriso triste novamente. Agora um pouco mais triste mas ainda assim iluminado. Ela e sua vontade de tomar banho quente e comer pão de queijo e voltar a ser apenas uma menina que sonha com alguém para se fazer isso junto, pela manhã [...] Ela e seus óculos de brinquedo para esconder de brinquedo uma emoção de brinquedo. Usando sua havaianas para uma alma cansada. Achando graça que o dia terminava justamente porque começava de novo. [...] Enquanto alguns corriam, ela só queria parar. Parar em algum braço, em algum abraço. Parar finalmente. E tomar o banho quente e comer pão de queijo. E ter abraços permitidos para sempre. [...] Achei aquilo lindo, achei que aquilo era a vida. E acabei dando finalmente o abraço eterno que ela tanto queria e que eu tanto queria. Ainda que se perdoar não melhore a solidão de ninguém.

sábado, 20 de novembro de 2010



qual a parte da liberdade que eu nunca entendi?

receio constante




"Tenho medo de decepcionar as pessoas,
de magoá-las,
de faze-las cansarem de mim.
Só queria que elas também tivessem esse medo..."


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

todos os sentidos




Já sentiu como se você tivesse total controle sobre seus sentidos? E todos eles fossem totalmente apurados de modo que você pudesse ouvir melhor, ver melhor, sentir melhor? Entrar em um transe, onde todas as pessoas são felizes e naquele momento não existe dor, nem fome, nem inveja, nem tristeza e todos os sentimentos ruins do mundo ficassem do lado de fora e que apenas um estilo de música pudesse fazer isso? Você pode imaginar um lugar onde todas as pessoas estão na mesma vibração, onde uma só batida pode fazer com que o mundo seja outro, onde as pessoas se gostam e se divertem como nunca? Sim, parecia simples, calmo, vago talvez. Parecia mais um, parecia mil. Às vezes redundante, às vezes exato. Mas todos sabiam, ou desconfiavam de suas carências, das suas fragilidades. Mas ele tentava disfarçar, mas era impossível tornar invisível ago tão gritante.  E também poderia ser chamado de pervertido, de insensível, mas não era. Ele só era confuso. Só era jovem demais para entender os desejos da vida. Mas nem ao menos entendia o que era viver. Tornava cada dia uma busca. Cada olhar uma frase. Ele era, sim, muito complicado, ou tornava tudo muito denso. Ah, o menino que não sabia para onde ir, não sabia exatamente o que era bom de sentir. Ele buscava, buscava... Às vezes pensava ter achado, mas tudo era muito rápido, muito frágil. Frágil em muitos momentos, mas não por ser fraco, e sim por ser descrente demais, pensativo demais. Dizem que ele ainda esta por aí, observando cada olhar, procurando palavras carinhosas. Dizem que às vezes ele chora ou mesmo sorri.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

pRo.lixo



Nunca gostei de regras; Falo das regras da (minha) vida. Porém como generalizar regras para uma vida se cada um é cada um? Cada pessoa sabe onde pisa, cada pessoa calça um número... As pessoas são diferentes e por isso possuem regras diferentes.
                                                   Como posso exigir que alguém goste de amarelo só por essa ser a minha cor preferida?
Por mais que gritemos aos quatro cantos que respeitamos a todos, sempre agimos com algum preconceito. Nós. Todos nós. "O melhor de viver é descobrir que regras são detalhes quando o destino é a felicidade". E tornar isso filosofia de vida. Paradoxalmente é tudo antagônico mesmo; O entusiasmo que entorpece é o mesmo que dá lugar à repressão interna e ao medo do que está por vir em razão do iminente. Essa mesma sensação que entorpece, lateja e consome;

                           Deixe-se levar; Apenas.

domingo, 14 de novembro de 2010

Ando tão cafona... Tão... reticências



“Aprendi que conversas sinceras não existem – existem as confissões por escrito

"Eu estou morrendo por auto-asfixia, ao sufocar essa história toda dentro de mim. Já que ninguém sabe quem eu sou. Eu sou uma falsa à paisana, uma embalagem que engana, corroendo-me com os segredos ácidos que guardo."
Tudo que Você Não Soube


"Deveria ter uma tabela antipaixão como a que fizeram para os tabagistas. Marcaríamos um xis nas vezes que pensássemos no outro. Assumindo a fraqueza. Contando as horas em que fôssemos capazes de esquecer. Poucas, no meu caso."
O Efeito Urano
 
Quando uma pessoa ama em estado profundo, os seus sentidos estão bloqueados, o seu corpo esta fechado. É preciso ser muito frio pra amar alguem e trair.
Isso ocorre principalmente com os homens. Mas somente em homens com fraca formação de caráter.
Vergonha dos pés
 

"Não se soma à alma aquilo que não é capaz de entrar dentro dela. E alma só se preenche com silêncio, algum poema, um conselho que, de bom, foi esquecido, beijo de mãe quando se dorme, uma reza sincera ao anjo da guarda, um amor que é eterno e raro de se achar."
A sombra das vossas asas
 

sábado, 13 de novembro de 2010

Será que para dizer ‘eu te amo’ a alguém preciso perguntar se posso dizer?





Será que para dizer ‘eu te amo’ a alguém preciso perguntar se posso dizer? Pedir permissão? Aqui se tem um caso diferente, já que esse amor não é novidade, já que esse amor já foi declarado. Já que sabem que amo. Então, será preciso mesmo perguntar?

Sinto uma vontade constante de dizer ‘eu te amo’, principalmente quando é tarde da noite e não há nada para se fazer a não ser esperar que o sono chegue. Em um breve telefonema dizer ‘Eu te amo!’ suavemente. É que é calada de noite. E a casa se mantém em silêncio. E meu coração se mantém ativo.

‘Eu te amo!’, quero dizer, ‘te amo’. Resumidamente assim. Deve ser curto assim para que não ocorra excesso.

Mas é que se telefono e falo ‘te amo’, sempre esperam mais. Esperam que dali aconteça alguma conversa sobre o dia, ou sobre os porquês e praquês desse amor. Eu apenas quero dizer ‘te amo’ e ir embora dormir. Por que minha vontade estaria saciada e eu já estaria satisfeito. E nada mais restaria acontecer.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Aqui jaz...




Tenho tentado seguir em frente. Hoje, tenho lidado melhor com as dúvidas; a válvula de escape que tenho quando escrevo me faz compreender que a problema começa e termina dentro de mim, portanto, nada mais claro do que eu mesmo achar as respostas.
Então sente tranqüilo no seu canto, respire: inspire e expire profunda e relaxadamente. Olhe fixamente pra tela do notebook e deixe fluir o sentimento. Grite, esbraveje, descarregue tudo aquilo que faz mal e ressalte os aspectos positivos; corra mas volte para você mesmo. Falar sobre a dor faz com que ela diminua de tamanho, por isso escrevo reiteradamente. Alguns textos são doloridos, enquanto outros imensamente libertadores. Sinceramente, não sei se no final das contas o somar e dividir fez com que chegasse ao denominador positivo, entretanto é a única forma que conheço de tentar acalmar essa inquietação. Hoje eu posso dizer que estou tentando colocar uma pedra sobre a dor, sepultar toda essa minha instabilidade e relutância que me causava dependência. Pra que fique claro: por mais difícil que isso seja eu estou tentando.

CAIO.F.




Eu sinto ciúme
quando alguém te abraça,
porque
por um segundo essa pessoa
está segurando meu mundo inteiro.

                                                   Caio F.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010





afinal,

o meu melhor,

NUNCA é o suficiente...

angústia



Tem sentimentos que a gente não consegue explicar... e são tão dificeis de digerir que parece que vai nos sufocando ao ponto de querer gritar; É uma angustia... um leve desespero que vai te remoendo. E a você só cabe esperar o tempo resolver.
Talvez esse imenso sentimento não tenha tradução, mas você não precisa ser literal. Sim, há os acordes dissonantes, mas estes também têm a sua beleza e harmonia.
Cresce tanto o medo que começamos a desejar passar por cima das horas para se evitar os conflitos. Insatisfação, injustificada, imedida e que assim entorpece. É bom lembrar que tudo que fica guardado/reprimido, afeta diretamente o psiquico: recluso em algum lugar do âmago do ser. Cedo ou tarde precisa ser encarado.

terça-feira, 9 de novembro de 2010



O mundo do rio,
não é
o mundo da ponte...

                                                                        Guimarães Rosa

[isso importa?]





Fiz um monte de cosias e ouvi outras tantas; E as vezes é como se nada acontecesse realmente. Como se o tudo nao existisse e nós não fossemos tudo aquilo que imaginamos ser.
 É que esse vã controle não existe mesmo...

   Poderia ter sido ontem,
      Poderia ter sido hoje...
         Poderia NÃO ter sido.
            Pode não ser...

                                                                     Faz diferença?

                                          Não foi...?
                                                Não sabe?
                                                       Nem eu...


Eu preciso de outro tipo de interlocutor.
                                           
                                                             (...)

                               Alguém que traga novidades,
                                                         que não fale o óbvio.

Alguém que fale mais que eu, que me dê vontade de escutar.


                                                        
                                Dá pra entender?


                                                    alias,

                                                      [isso importa?]


 


segunda-feira, 8 de novembro de 2010


Troco duas pernas em bom estado de conservação
por duas asas bem voadas.”

[Armando Nogueira]

não adianta reclamar


No final das contas
não adianta reclamar,
certas coisas
 ocorrem
porque
 a gente
 permite.

domingo, 7 de novembro de 2010

todos amores;



 
Quando eu sofro por amor, sofro de todos os amores: os que eu tive, os que não me amaram, os que não me tiveram e não amei, os que me fizeram chorar, os que me magoaram; sofro pela falta de amor. É toda a minha vida de desilusões e descaminhos que eu sinto passar na veia cortando e ferindo novamente. Como se tudo fosse uma dor só e que apenas se esconde quando a gente tá feliz e blábláblá. É uma coisa de “tristeza não tem fim, felicidade sim”. É um alguém agora me fazendo lembrar de você, que me magoou há dois anos atrás, ou de você que não quis me amar. Eu choro-sofro tudo de novo, quase como se fosse agora. Não me critiquem. Não que eu não viva/tenha felicidades, mas apenas não quero falar delas agora. Preciso extirpar esse restinho de dor dessas ultimas semanas. Amanhã eu falo de sol e alegrias e beijos. Deixa isso pra amanhã.
Texto copiado do blog Quem tem medo de brincar de amor?


Para uma avenca partindo


Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Eu não posso te obrigar a tentar ser feliz




"Caso te acometa a saudade
Vou deixar aberta a porteira
Tão sozinha nesta cidade
A pensar em mim a noite inteira
Você diz que quer mas não vem
Eu não posso te obrigar
a tentar ser feliz
Se você vier, meu bem,
virá porque quis
Só te peço: "Vem, vem, meu amor"

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

estranha certeza



Feche os olhos, tape os ouvidos com a ponta dos dedos, depois, lentamente, abaixe o queixo até encostar de leve, bem de leve o seu peito; Aos poucos, desprenda o consciente do concreto, do sólido, e deixe o pensamento divagar por todas as lembranças positivas que conseguir alcançar. Voe até o gosto doce que a sua infância teve, as brincadeiras de rua, as primeiras emoções e sentimentos.
Procure os seus caminhos, tente olhar o mundo de fora, observe as expressões e a liberdade que você tem de mudar de ídeia, de buscar o novo e a liberdade que as tentações lhe proporciona. Porque tudo isso muda a sua vida a partir do ponto que você descobre que não existe limitações quando você é honesto com os seus sentimentos, e que isso vai lhe dar uma sensação de dever cumprido e uma estranha certeza de que tudo vale a pena.

Uma boa recordação é aquela sensação de liberdade que o vento no peito lhe transmite em todas às vezes que você coloca uma parte do seu corpo pra fora do carro em movimento e grita um misto de riso com sentimentos presos na garganta; Você mal acaba o grito e já solta aquela gargalhada gostosa como se algo em sua alma tivesse perdido peso, não sabe o que é, mas algo em você acabara de ficar mais leve;