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quinta-feira, 5 de maio de 2011

como nos contos de fadas

Frequentemente eu abro meu baú de memórias a procura de fatos e acontecimentos esquecidos e muitas vezes me deparo com momentos bons que na correria em que vivemos acabamos deixando pra trás. Hoje, na sessão nostalgia do dia dei uma passada por cartas antigas e achei textos de pessoas queridas. 
Eu já recebi poemas feitos especialmente pra mim, recebi também textos e poemas cujo o leitor se identificou muito e achou que era especial ao ponto de parecer com as nossas vidas, já recebi desabafos, críticas e um porção de outras coisas que nos impulsiona porque não podemos ficar inertes à este explosão de sensações, sejam positivas ou negativas. As nossas lembranças são extra-sensoriais e, muitas vezes, inexplicáveis.
Não sei, mas acho que é a proximidade do nosso aniversário que faz com que a gente fique mais sensibilizado a determinadas coisas. Por isso, resolvi  dividir as palavras que encontrei no meu baú, mostrando a vida por um outro ponto de vista que não o meu.
Assim, vou transcrever, na íntegra, o texto que eu recebi (da Xuxuby's ou Juliana M.P.O) e já emocionou (como também fez chorar) algumas pessoas hoje:




//~//
Bom, eu sei que todo mundo aqui, já jogou videogame pelo menos uma vez na vida, e sabe que sempre tem uma fase ou outra que é super difícil, mas na maioria das vezes, quando você passa esse tipo de fase, vem aquela de bônus, que você só sai pegando as argolinhas e não tem monstro nenhum pra tentar te comer.

E pensando bem, com a gente também é assim. É como se a nossa vida, fosse um jogo de videogame. Você passa por um monte de coisa ruim, e um monte de gente que parece tentar te destruir, mas ai quando você consegue vencer até o poderoso chefão do final da fase, você vai pro paraíso e passa só por coisas boas.

E isso é um ciclo; hora fase ruim, hora fase boa.
E você não pode esquecer, que não importa, quão ruim seja a fase que você tá passando, quando acabar, vai vir alguma coisa muito boa pra você.
É assim mesmo.
//~//
E ai, hoje eu queria te prometer algumas coisas que eu nunca prometi.

E com a mais completa consciência de que só deve se prometer o que se pode cumprir.

Eu; eu prometo que tudo vai se resolver.
E que a fase das argolinhas ta mais perto do que você imagina.
E prometo mais; prometo (dessa vez, não só por mim) que você nunca vai ficar sozinho.
//~//


Não é simplesmente fantástico?
Tudo vai se resolver e eu NUNCA vou ficar sozinho... 
Porque eu acredito em promessas, 
principalmente porque elas tem que ser cumpridas! 





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quinta-feira, 1 de julho de 2010

um simples email?


Oi! como vai? Tudo bem? Quanto tempo não conversamos. Quanto tempo não te vejo, não te mando um email.
Quanto tempo você não me manda um email...
Como estão as coisas contigo? Conseguiu resolver ou pelo menos amenizar aqueles nossos problemas recorrentes? Queria ter te mandado um email há algum tempo atrás mas sei lá porque esqueci. É esse o mal da vida moderna? Essa constante falta de tempo e das desculpas incansáveis?
Bom, eu precisava dizer que estou com saudade. Que queria te ver e poder conversar sobre pequenos assuntos, sobre tudo e sobre nada. Sabe aquela conversa travada em silêncio que a cumplicidade nos permite? Saudade justamente de não ter que falar durante uma conversa e mais, não ter que explicar tudo isso.
Mas sabe como é né, essa vida corrida, os excessos. É é isso, o grande mal são os excessos que vão na contramão dos momentos felizes, que vão se tornando mais ausentes que presentes, e quando vemos já se passaram meses, as vezes anos que não nos vemos mais. A gente poderia marcar algo depois. Sair pra algum lugar, comer alguma coisa bacana, jogar algumas palavras fora, rir um pouco da vida, rir um pouco de nós mesmos, contar as novidades, as desventuras, as aventuras, qualquer coisa. O que acha? Qualquer coisa me ligue, a gente marca alguma coisa. Alias, agora a ligação ficou mais fácil... é, é isso, vou te ligar agora.

[PAUSA] [...]

Putz! Há quanto tempo não ouvia sua voz? E como é reconfortante ouvi-la meu amigo. Desculpe por ter atrapalhado o jantar. Sim, eu sei que você disse que não estava atrapalhando, mas eu interrompi por uns instantes. Foi por um bom motivo, eu sei. Sabe, seria bom nos encontrarmos em meio a este vasto mundo que nos separou, essa selva de pedra... Mas lembre-se: o porto seguro continuará sempre aqui...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Tudo que eu queria te dizer...




 

Oi, Leilinha,

Que imagem feia você tem de mim, minha flor. Todos possuem seu próprio demônio, eu sou o seu. Aliás, eu sou você. Não poderia fazer parte da sua vida como um intruso, você me acolheu ao nascer, somos feitos da mesma matéria. Vai querer me expulsar no bem-bom, justo agora que você é mulher adulta? Pense bem, sua vida ficaria um tédio sem mim. Eu sou o que te faz levantar da cama todos os dias, boba. E o que te faria deitar tantas outras, se você não fosse tão resistente aos meus apelos.


Que vulnerável você está, meu bem. Sofrendo por bobagem. Como se eu fosse seu inimigo. Eu sou a única coisa viva que você tem. Não fosse eu, você seria uma boazinha, uma fofa – pode coisa pior?

Algumas pessoas até conseguem me abafar, mas usam métodos mais eficientes do este seu de pedir – pedir santa ingenuidade! – para eu ir embora. Você não reza, pra começar. Se quisesse mesmo que eu desaparecesse, você rezaria, mas não reza, graças a Deus. Não suporto essa gente que junta as mãos, fecha os olhos, abaixa a cabeça e fica falando baixinho, num cochicho irritante. Elas se matariam em troca de um pecado, quem lhes dera um erro em suas vidas. Inventam que tudo é coisa do demo – coisa minha – para terem do que se orgulhar aos domingos. “Pequei, padre!” Devem achar isto excitante. Que pobreza.

Dessas eu me afasto mesmo, não suporto falsidade. Mas você não reza, princesa, então tem salvação.

Você apenas pede, numa cartinha singela, que eu a deixe em paz. Só faltou escrever “vade-retro”. Mas você não escreveu, não cometeu esse deslize abominável. Você me quer, amada. Você me deseja ardentemente. Você adoraria que eu tomasse conta de você. Pelo menos foi isso que eu entendi naquela sua última frase. Simpatiza comigo? Ora, você me ama. O que demonstra que tem um Q.I. razoável. Vamos namorar?

Agora que você está mais mansinha, vamos deixar de viadagem e ir ao que interessa. Ao que te interessa. Se quiser que eu tome posse, eu tomo. Te ajudo a quebrar os enfeites da casa, a pegar estradas e não voltar, a se deixar seduzir por trombadinhas. Qualquer problema, você joga a culpa em mim, eu seguro a onda.

Mas há maneiras de fazer isto sem tanto estardalhaço. E sem tanto medo. Vem cá, bonitinha, se aproxime.
Há quanto tempo você não se sente mulher? Mulher e demônio são uma coisa só, você sabe. Deixa eu ver este rostinho. nossa, quanta melancolia neste olhar. Você está perdendo as forças de tanto resistir a mim. E eu nem sou tão malvado assim, garota. Meu papel é de apenas estimular a sua liberdade, porque não é possível alguém ser escravo do bom comportamento o tempo todo. Pense bem: você tem a mania irritante de atender a todos os telefonemas, todos. Não atenda. Deixa tocar de vez em quando, não interrompa o que estiver fazendo, mesmo que esteja deitada no sofá olhando pro teto. Não dê atenção ao chato que está chamando. E se você esqueceu o aniverário da sua irmã, esqueceu, ora. Sem drama. Não caia no papo chantagista dela, todo mundo tem o direito de esquecer de algumas datas, mande ela pentear macaco. E quando não estiver com vontade de dizer a verdade, minta. Quer trocar uma tarde de trabalho por um banho de piscina, o que te impede? E se quer ter sexo com alguém diferente, a mesma pergunta: o que te impede? Sou o seu avalista, meu bem.

E pode exagerar na conta. Tenho certeza de que suas fantasias são mais radicais do que estas bobagens que te propus. Você é muito mais imaginativa do que eu, todas vocês são. Quer sumir por uns dias? É só deixar um bilhete, sumirei por uns dias, tem carne congelada na geladeira. Isso da carne congelada vai amenizar o golpe. Tudo o que uma família precisa é ser alimentada. Nem vão dar pelo seu desaparecimento. Puf. Mamãe evaporou.

Enxugue essas lágrimas inúteis, levante este queixo e vá tratar da vida. Faça tudo o que deseja fazer. Você acha que depois de morta vai ganhar bônus? Uma prorrogação para tentar sair desse empate? Esqueça o empate. Vença. Perca. Ofereça a si mesma algum resultado.
É você mesma que assina. E eu.



[Martha Medeiros - Tudo que eu queria te dizer]


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PS¹.: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
PS².: O texto é INTEGRALMENTE de autoria de Martha Medeiros, mas os grifos são meus.
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