Mostrando postagens com marcador para alguém. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador para alguém. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de setembro de 2013





“Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?”

Caio Fernando Abreu


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Tiraram a plaquinha de aluga-se...




Resolvi morar sozinha e passei os últimos três meses procurando um apartamento para alugar. Gostei logo de cara de um no Itaim, rua tranquila, vista para várias árvores charmosas, todo pequenininho e aconchegante. Quando entrei nele senti algo especial, estranho, familiar, algo muito bom.Mas não, não se pode ficar com o primeiro que aparece, não é mesmo? O Itaim tem muito trânsito, prédios antigos dão problema na fiação e no encanamento, a garagem era pequena, enfim, continuei procurando. 
Depois daquele apartamento vi pelo menos mais uns 30, mas o dito cujo não saia da minha cabeça. A varandinha azul, as vaguinhas para visitantes ao lado, o porteiro velhinho que só sorria. Eu estava apaixonada. Mas não, o mundo tem tantas opções, não é mesmo? Não se pode ir ficando com o primeiro que aparece, ainda mais um primeiro com tantos defeitos: a cozinha era muito antiga, a porta do banheiro batia no bidê (pra que bidê?) e a proprietária não abria mão do carpete (eu sou alérgica). 
O tempo passou, prédios modernos, mais baratos, com vistas melhores e até mesmo com banheiros gigantes (eu amo banheiros) passaram, e eu nunca tirei o predinho da rua Jesuíno da cabeça. Eu me dizia o tempo todo “o que é do homem, o bicho não come” e seguia a vida tranquila sabendo que quando finalmente chegasse a hora de me decidir, ele estaria lá esperando por mim. 
Eu precisava experimentar o mundo, eu precisava conhecer outros cantos, cheiros e vistas, não, de maneira nenhuma eu poderia me deixar levar pelos sentimentos e assinar um contrato de fidelidade. Um dia eu estaria pronta para sair de casa e ser uma mulher, um dia eu estaria pronta para não ter mais que olhar pro lado pra poder olhar pra frente. Um dia eu poderia ser dele e então, ele seria meu. 
Ontem resolvi passar por lá, não para resolver nada e nem para levar minha mudança, apenas para continuar minha paquera medrosa e distante, saber se estava tudo bem com o meu amor e esquentar um pouquinho nosso relacionamento cheios de dúvidas. Quando fui chegando perto não pude acreditar: a placa de aluga-se não estava mais lá! 
Meu coração cheio de fúria não cabia dentro de mim, eu atravessei a rua correndo, apertei a campainha como um fantasma faminto inconformado com a morte mas impotente e invisível. Depois de muito tempo o porteiro berrou sem nem se dar ao trabalho de mostrar o rosto: já tem gente morando lá, foi alugado semana passada! 
Voltei para meu carro e chorei o choro mais profundo, antigo e verdadeiro que já chorei em toda a minha vida. Um choro daqueles contidos pela eternidade. 
Me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente. 
Me lembrei de vários lugares que trabalhei e acabei saindo porque era muito nova para me enterrar numa mesa de escritório dez horas por dia, mas eram lugares com pessoas, chefes e trabalhos muito divertidos e inesquecíveis. 
Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”. E se não tiver mês que vem? 
Finalmente chorei todos os meus amores que acabaram, todas as portas que eu deixei entreabertas (porque sou péssima em fechá-las) e que se fecharam pela vida: a maioria casou, juntou, sumiu, nem sei por onde anda. Alguém quis fazer desses amores perdidos moradias e eu mais uma vez fiquei sem minha placa de “aluga-se”. 
Enfim chorei o fim de tudo, assim é a vida, uma morte a cada dia. Depois, como sempre, limpei o rosto e continuei procurando pela minha casa. Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo.

por Tati Bernardi



segunda-feira, 4 de março de 2013

seja!






“Não se intimide ao encontrar seu homem no momento errado. É sempre o momento errado. Seja o momento errado da vida dele. Mas seja parte da vida dele.”

por Fabrício Carpinejar 



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

porque é como tem que ser...








"No primeiro dia pensei em me matar. No segundo, em virar padre. No terceiro, em beber até cair. No quarto, pensei em escrever uma carta para Marcela. No quinto, comecei a pensar na Europa e no sexto comecei a sonhar com as noites em Lisboa. Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu."




[Machado de Assis in Memórias póstumas de Brás Cubas]


terça-feira, 18 de setembro de 2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

escolhas






Tudo bem que a gente tem que dar o primeiro passo, depois insistir, por vezes até persistir para alcançar o êxito. Mas, na minha não tão modesta opinião, isso não funciona para com as pessoas. Não deixe as coisas subentendidas, fale o que você pense, corra atrás de quem você quer. Só não espere ser tarde demais para os seus planos. Se tempo não espera, por que as pessoas haveriam de esperar? A sua vida nao é nada mais do que o reflexo das suas atitudes! Portanto não fique se achando injustiçado ou abençoado, você será aquilo que escolheu ser...


segunda-feira, 30 de julho de 2012

fatos





Eu preciso fazer uma confissão: eu não fui sincero com você. Alias, não tenho sido. Mas isso não quer dizer que as minhas palavras são falsas ou mentirosas. Não, elas não são. Eu só não disse a verdade. Talvez a verdade é que eu tenha me omitido nas palavras, pois nos gestos eles sempre foram os mais cristalinos possiveis.
Mas nesse ponto você há de convir comigo que se eu me omiti em dizer, você se omitiu em perguntar também. Ambos temos nossa parcela de culpa nessa história, eu mentindo pra mim que não é com nisso que eu penso todos os dias quando acordo sacrificando uma parte de mim e do outro lado, você mentindo pra si mesmo que debaixo do personagem não existe uma pessoa real e que também se omite, de si, dos outros e do mundo.
São extremos, são contrários e de tão antagônicos é que se completam. Mas como todos extremos também se repelem. Preenchem uma parte, mas expurgam outra, talvez por medo da sincronicidade das reações e sentimentos, embora o medo não seja melhor resposta ele é sempre uma das justificativas mais utilizadas.
Falo da minha parte, dos meus anseios, dos meus medos, dos meus sentimentos. Falo disso por experiência própria, mas falo de você com a propriedade de quem conhece a ti mais do que você gostaria as vezes. Mais do que o seu medo lhe permite que o restante do mundo conheça.
Existe mais de uma maneira de se enxergar a alma das pessoas. O grande problema e dificuldade em fazê-lo é que o outro tem que, além de estar aberto e disposto a isso, é doar-se ao próximo, dar mais de si do que receber em troca. E é aí que se encontra a dificuldade. O mundo de hoje não se tem pessoas preparadas para doar-se ao outro. O mundo prepara as pessoas para sugar o próximo e nada mais.
Já eu posso me vangloriar de ter essa disponibilidade com certas pessoas com quem a minha afinidade exacerba o limite do explicável. Não se define, apenas se sente o que a alma não delimita.
Eu tenho o canal aberto para enxergar o que as pessoas deixam aberto para o mundo, não é um dom, é só uma questão de querer enxergar aquilo que o outro evidencia, é uma situação latente.
  
Eu só me pergunto até que ponto estamos sendo honestos com a gente, se omitimos, se disfarçamos, vestimos as máscaras de nossos personagens “full time” a ponto de não nos reconhecermos nas nossas próprias feições, talvez tenhamos perdido nossas identidades para os personagens que criamos e que se alimenta da nossa fraqueza, dos nosso medos mais profundos e nos consome aos poucos. O Personagem vai se fundindo ao ator a ponto de não se desvincilhar mais.
É uma pergunta recorrente na minha mente. Aliada a uma série de fatores: Um dia a ficha vai cair?



sexta-feira, 6 de julho de 2012

PAINEIRA OU UM AMOR ATRASADO






Ansiava em subir numa paineira. Meu desejo irrealizado de telhado, mas ela tinha espinhos avantajados, que não davam para dobrar como os da roseira. Espinhos fortes, agudos, medievais. Observava a árvore na praça, como um órfão admira o pai de um colega ou como quem esconde da professora o atraso da mãe na saída da escola. Tocava-me a nostalgia do que nunca poderia fazer. A paineira, intransponível com suas pontas de lança. Os galhos muito acima da minha capacidade de encurtá-los. 


Deixei esse sonho de lado, como muitos outros, sem mexer ou importuná-los, fingindo que não me conheciam. Ao empurrar meu filho no balanço, na mesma praça que freqüentava quando pequeno, assusto-me com a mobilidade de uma criança alçando justamente a paineira impossível. Não havia percebido, o que ela propôs foi simples: usava os espinhos como degraus. A paineira ficava mais fácil de subir, porque naturalmente apresentava os grampos do alpinista em sua crosta. A criança se elevava com ligeireza e alegria, ainda gritou de cima. Avistava um continente estranho. 

Não havia insistido. Muito menos ensaiado vôos pelas cordas das mãos. Sondava somente o langor dos espinhos, concentrado na dor que eles poderiam me provocar, no ferimento que ainda não existia, nos joelhos esfolados que deveria levar para casa. Não cogitei os espinhos como os ombros que me conduziriam ao alto, como um modo de me proteger. 

Uma amiga esperou três anos para que um amor se resolvesse por ela. Viveram juntos, se separaram. Faltava cumplicidade, não ser esquecida pelo seu olfato. Faltava que ele dissesse que não conseguiria ficar sem ela, que ao menos sentia saudades. Ela praguejou escondida, suportou as olheiras, encabulou meses de convívio, tentou ser forte, mudou de planos, pensou que enlouqueceria caso não se abrisse para alguém, não se abriu e enlouqueceu, arrebentou-se em segredo para sofrer sem que ele visse que sofria. 

Na última semana, ela se reencontrou novamente com o ex. Num ônibus, entre passageiros que nada tinham com isso, ele finalmente declarou sua paixão e expressou todas as palavras que ela queria ouvir. Todas. Até aquelas que não ouviria, pois era vaidade demais imaginá-las. Perguntou inclusive se ela continuava usando o mesmo perfume. Ela riu: "Sim, eu não mudei de perfume." Talvez tenha mudado de corpo, de perfume não. Ele riu, acreditou que ainda era tempo, que ela o aceitaria de volta.

Ela afastou os braços dele dos seus ombros. Com ternura. Uma ternura de quem soube avançar pelos espinhos e enxerga a vida da copa das árvores, com mais altura do que o vento. Com mais discernimento. 

A paineira me ensinou a não temê-la. 

Um amor atrasado não é amor. Um amor atrasado é amizade depois de um amor que não aconteceu. 



por Fabrício Carpinejar



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Não canse quem te quer bem





Foi durante o programa Saia Justa que a atriz Camila Morgado, discutindo sobre a chatice dos outros (e a nossa própria), lançou a frase: Não canse quem te quer bem. Diz ela que ouviu isso em algum lugar, mas enquanto não consegue lembrar a fonte, dou a ela a posse provisória desse achado. 

Não canse quem te quer bem. Ah, se conseguíssemos manter sob controle nosso ímpeto de apoquentar. Mas não. Uns mais, outros menos, todos passam do limite na arte de encher os tubos. Ou contando uma história que não acaba nunca, ou pior: contando uma história que não acaba nunca cujos protagonistas ninguém ouviu falar. Deveria ser crime inafiançável ficar contando longos causos sobre gente que não conhecemos e por quem não temos o menor interesse. Se for história de doença, então, cadeira elétrica. 

Não canse quem te quer bem. Evite repetir sempre a mesma queixa. Desabafar com amigos, ok. Pedir conselho, ok também, é uma demonstração de carinho e confiança. Agora, ficar anos alugando os ouvidos alheios com as mesmas reclamações, dá licença. Troque o disco. Seus amigos gostam tanto de você, merecem saber que você é capaz de diversificar suas lamúrias. 

Não canse quem te quer bem. Garçons foram treinados para te querer bem. Então não peça para trocar todos os ingredientes do risoto que você solicitou – escolha uma pizza e fim. 

Seu namorado te quer muito bem. Não o obrigue a esperar pelos 20 vestidos que você vai experimentar antes de sair – pense antes no que vai usar. E discutir a relação, só uma vez por ano, se não houver outra saída. 

Sua namorada também te quer muito bem. Não a amole pedindo para ela posar para 297 fotos no fim de semana em Gramado. Todo mundo já sabe como é Gramado. Tirem duas, como lembrança, e aproveitem o resto do tempo. 

Não canse quem te quer bem. Não peça dinheiro emprestado pra quem vai ficar constrangido em negar. Não exija uma dedicatória especial só porque você é parente do autor do livro. E não exagere ao mostrar fotografias. Se o local que você visitou é realmente incrível, mostre três, quatro no máximo. Na verdade, fotografia a gente só mostra pra mãe e para aqueles que também aparecem na foto. 

Não canse quem te quer bem. Não faça seus filhos demonstrarem dotes artísticos (cantar, dançar, tocar violão) na frente das visitas. Por amor a eles e pelas visitas. 

Implicâncias quase sempre são demonstrações de afeto. Você não implica com quem te esnoba, apenas com quem possui laços fraternos. Se um amigo é barrigudo, será sobre a barriga dele que faremos piada. Se temos uma amiga que sempre chega atrasada, o atraso dela será brindado com sarcasmo. Se nosso filho é cabeludo, “quando é que tu vai cortar esse cabelo, guri?” será a pergunta que faremos de segunda a domingo. Implicar é uma maneira de confirmar a intimidade. Mas os íntimos poderiam se elogiar, pra variar. 

Não canse quem te quer bem. Se não consegue resistir a dar uma chateada, seja mala com pessoas que não te conhecem. Só esses poderão se afastar, cortar o assunto, te dar um chega pra lá. Quem te quer bem vai te ouvir até o fim e ainda vai fazer de conta que está se divertindo. Coitado. Prive-o desse infortúnio. Ele não tem culpa de gostar de você.

Martha Medeiros




domingo, 17 de junho de 2012

preciso




VOCÊ ME FAZ BEM, 
MAS ME IRRITA TAMBÉM....


é sempre assim,
contraditório mas tão preciso!



terça-feira, 15 de maio de 2012

desapega...







Eu acabei de ler uma frase tão, mas tão precisa que chegou a dar uma pontada: “Estou cansado de administrar pessoas”.
Estou cansado, pelo fato de ter que, o tempo todo, cuidar do outro, sendo que na maior parte do tempo, eu não consigo cuidar de mim mesmo. Entretanto, mesmo assim, eu insisto no erro. 
E administrar pessoas exige uma dose excessiva de desapego e benevolência, que de fato, eu não posso ter. Não agora.
O problema é que eu me importo com quem não se importa, alias, que pode até se importar, mas que tem coisas mais importantes com que se preocupar. Afinal, "cada um com os seus problemas", certo?. ERRADO! 
Ok, que todo mundo tem a si próprio para vigiar, e aí, o outro passa a não ser a prioridade, mas não devemos esquecer que para tudo nesta vida existe um meio termo.
O grande problema, no meu caso, é que eu prefiro deixar o outro ser prioridade pra que eu mesmo não seja o foco.
(Sim eu sei que é uma espécie de FUGA, e isso é tópico da minha terapia, OK?)
E essa tentativa, burra diga-se de passagem, não surte efeito, porque exige uma sensibilidade alheia ao enxergar por trás de nossas retinas e, novamente, caímos na pressa e nas prioridades próprias de cada um. E mais uma vez. Incidimos no erro. E como de costume, é recorrente o ciclo... E aí caímos novamente nas lamúrias, é apenas questão de foco.


domingo, 6 de maio de 2012

QAF, eu e você...



na foto: Michael, Brian e Justin





O que eu vou fazer hoje não é nada mais do que uma resenha de uma série muito famosa de TV, mas que poderia facilmente a minha história de vida, como também de muitas pessoas que eu conheço e em muitos momentos.
Mudam-se algumas histórias, mudam alguns personagens, mas o enredo no final é quase sempre o mesmo, o mesmo plano de fundo.
A série famosa é a “Queer as folk”, exibido no Brasil com o nome de “Os Assumidos”. Recentemente eu re-assisti alguns episódios por causa de um amigo que começou o “vício” pelo seriado e como ele quis os DVDs emprestados, peguei os meus e fui testar para ver se estavam funcionando corretamente. Passando rapidamente pelas primeiras temporadas, fui direto para a última, e assisti alguns episódios, incluindo os dois últimos capitulos.
Um filme passou na minha cabeça e eu me lembrei do aperto no peito que essa série causou na minha cabeça, mas mais do que isso, me veio várias vidas, varias histórias, vários personagens... Aquela sensação de frio na espinha
O que me chama atenção na trama não é nem o excesso de drogas, a promiscuidade dos personagens, ou a volatidade dos sentimentos. Esssa visão é a que todo mundo tem ao ver a séria, a minda é diferente, comigo é a semelhança dos sentimentos, dos personagens, do modo de agir de determinados personagens.
Vou fazer um resumão do que eu acho importante... vamos aos personanges:
Primeiro o tímido (e fofo) Michael (Mike), que se descreve como "aquele cara quase bonito que passou por você", ele é o amigo pra todas as horas (e por ser o bonzinho é o que sempre se ferra) e que tem aqueles olhinhos de “cão-sem-dono” que ninguém resiste. Tem um emprego de vendedor em uma grande rede de lojas, e dificilmente alguém o apontaria como gay com base em uma conversa de elevador. Ele é inteligente e sonhador, fã de histórias em quadrinhos e tem uma paixão platônica por Brian Kinney, seu amigo desde a época de escola.
 Já o Brian não poderia ser mais diferente de Michael. Ele é o cara lindo que todos querem, bem sucedido e seguro. Ele é simplesmente “o cara”. É ele que faz com que o mundo gire em torno ao seu redor. Onde ele chega o mundo para, porque ele é o pegador.
No entanto essa longa amizade – e confusa - dos dois, beira (mas só beira) a um caso de amor. O problema é que o imaturo Brian possui uma relação de dependência com Michael.
Logo de cara, no primeiro episódio acho que a vontade de todas as pessoas é que Mike e Brian formem um casal, mas isso infelizmente não vai acontecer. Esse grupo de amigo vai sofrer muita reviravolta durante as cinco temporadas, muitos personagens vão entrar, muitos vão sair, muitos personages vão sofrer para poder amadurecer.
Brian vai ter o seu papel de macho-alfa e vai doar o seu sêmen para o casal de lésbicas para que elas possam ter o tão sonhado filhos, mas tal fato quase não tem influencia na vida dele. Ter ou não um filho é quase irrelevante para o estilo de vida do garanhão. Mais importante para ele é estar presente na balada (Babylon), transar com os caras mais gatos possíveis e se fazer presente.
Até que um belo dia aparece um novo elemento na trama: Justin, um rapaz de dezessete anos que se envolve com Brian.
Justin é cativante e tem um rosto angelical que vai em contrapartida a uma maturidade assustadora, que contrasta com as atitudes imaturas de Brian. Tem uma sensibilidade ímpar que ele canaliza nas artes. Essa maturidade o faz relevar os ciúmes de Michael.
O contrastante é desabrochar da maturidade do Justin que começa a viver plenamente sua sexualidade, enquanto vive uma paixão com Brian que é um poço de soberba e imaturidade, enquanto paralelamente a isso Michael luta (mesmo que internamente) para definir qual é exatamente sua relação com Brian.
Brian, Brian, Brian... Tudo por não ter olhos para enxergar o quanto Michael sofre por ele e pelas situações causadas por suas duvidas e tudo o que isso ocasiona no grupo.
O mais dificil da série é ver que o nosso desejo não se concretiza mesmo. O Brian não consegue ver o quão especial Michael é em sua vida e o quanto ele representa e, embora o Justin seja uma graça ele também sofre ao seu lado.
Brian não foi feito para ter um relacionamento. Apesar de amá-lo, Justin passa por cima de seus princípios para ficar ao lado de Brian até o fim. Individualista,  Brian não aceita que Justin desista de seus sonhos para viver ao seu lado da mesma forma que ele nem cogita a ideia de se prender a alguém.
Mas como tudo, a arte imita a vida, certo? Sim... E Brian, mesmo que ao seu jeito acaba se envolvendo com Brian e no final, até que ao seu modo, se apaixonando pelo Justin ao ponto de querer ter uma noite de “amor” com ele.
Mas já não eram mais eles, já não dava mais certo e por isso terminou. Justin não queria que Brian deixasse de ser quem ele era e Brian não deixou de ir atrás de seus sonhos (por incentivo do próprio Brian) para viver o que poderia ser seu grande amor.
O conto de fadas, o castelo dos sonhos... nada disto aconteceu! Tudo disso ruiu diante dos dois. Brian e Justin não ficam juntos com a promessa de que se um dia tiverem de se amar, o farão independente do tempo. (O que eu acho a maior balela do mundo!)
Já o Michael, o fofinho, que só se ferra, depois de muito penar, de muito sofrer, acaba conhecendo um cara bonitão, boa-pinta, que se apaixona por ele, formam uma bela família, adotam um adolescente problemático e tem a sua família feliz.
É um final lindo para o Michael se não fosse pelo fato que, pra mim, no fundo dos olhos dele, eu sempre veja uma ponta de sentimento incompreendido (e não correspondido) pelo amigo Brian e que de tão reprimido se torna uma eterna amargura que o impede de ser feliz por completo. Mas ao olhos do mundo, tudo está plenamente feliz...
E assim se fecha o ciclo vicioso de “Queer as folk”...
Qual personagem lhe cabe nessa história? Só não se esqueça que existem outros personagens... mas na minha visão, são esses os essenciais à trama. São os que ME interessam...
Mas como diria o poeta Cazuza em forma de pergunta: “Mentiras sinceras te interessam?”



sexta-feira, 27 de abril de 2012

tênue;





Entre o bem e o mal a linha é tênue meu bem
Entre o amor e o ódio a linha é tênue também
Quando o desprezo a gente muito preza
Na vera o que despreza é o que se dá valor
Falta descobrir a qual desses dois lados convém
Sua tremenda energia para tanto desdém
Ou me odeia descaradamente
Ou disfarçadamente me tem amor


[Maria Gadú - Linha Tênue]



sábado, 14 de abril de 2012

conflitante





Qual é o tamanho da ilusão em que você vive? Será que você consegue ter o discernimento para enxergar até onde vai a fantasia que você cria diariamente para sobreviver (ou se ocultar) e saber onde começa a realidade?!? 

É uma simples constatação, mas que algumas pessoas insistem em não enxergar...


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

PULA!





PULA: 

eu te seguro...!




quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

#acreditar







"Há muitas pessoas que não acreditam no amor. Eu acredito, na verdade, eu preciso acreditar. Não posso considerar que essa parte tão grande em mim, capaz de tanto amor, seja fruto de algo que não exista em algum lugar, além do meu peito. Amor a gente não busca no mundo, amor não tá lá fora, à venda, à disposição. Amor é algo de dentro que, quando você encontra alguém que você guarda dentro e que também guarde você dentro, faz o mundo aqui fora parecer menos vazio e distante. As pessoas têm problemas no trabalho, as pessoas tem problemas de saúde, as pessoas tem problemas familiares, mas ninguém sai por aí dizendo que o trabalho não existe, que a saúde não existe ou que família não existe. No entanto, alguns cínicos com seus corações machucados querem nos fazer acreditar que o amor não existe. Sempre que alguém amargurado e amargo te disser que o amor não existe lembre-se: o amor existe, o que não existe é a perfeição. Tudo na vida a gente luta para conseguir e luta mais ainda para manter, é assim com tudo e é assim também com o amor. Essa é a verdade nua e crua: existe amor, mas também existem pessoas que não sabem amar. Eu não faço como essas pessoas que tentam dizer que o amor é uma bobagem, uma ilusão. E não é porque eu amo e sou amado, não é porque eu tenho um lindo namorado. Não! Estou só, e assim estive em todos os dias das minhas duas décadas de vida. Já sofri muito por amor. Já me iludi e me enganei. Já fui iludido e enganado. Meu amor já foi usado apenas para massagear egos, realizar favores e/ou conquistar prazeres da carne. Meu coração já foi partido por diversas e milhares de vezes, mas ainda há o poder de se regenerar em minha alma. Defendo o amor, defendo que as pessoas se amem, eu quero que você acredite no amor. Não vou querer privar o mundo do que não tenho. Não é porque ainda não deu certo para mim que não vai dar certo para você, vai dar certo sim! E, assim, quanto mais pessoas acreditarem no amor mais chances eu tenho de um dia encontrar quem também acredite e, nesse dia, além de amar eu também serei amado e terei orgulho de dizer: sim, o amor existe, pois existe eu e você."


..


domingo, 20 de novembro de 2011

desABAFO







Como todo mundo acha alguma coisa nessa m***a de mundo virtual, também quero me dar esse direito, o direito de expressar o meu ponto de vista, já que todo mundo é especialista em alguma coisa, que é crítico disso, daquilo e daquilo outro; incluo nesse tópico venerar seus artistas, falar bem deles, falar que são isso, que são aquilo, e até mesmo dizer que alguns artistas são cantores, são dançarinos, são isso ou aquilo. Sinceramente, acredito que muito deles são apenas o que poderiam ser definidos APENAS COMO "entertainers", NADA ALÉM DISSO! mas por favor, não façam isso de modo de vida, de única salvação para suas vidas e humanidade, ok? É dia de rock bebê? ok, aproveite o rock, é dia de samba? então se joga, mas não ache que fulano é melhor que ciclano, que isso é melhor do que aquilo... só aproveite o MOMENTO, dentro de você, porque se você precisa exteriorizar a sua vontade, provavelmente tenha que rever alguns conceitos sobre o que você realmente gosto e aquilo que você precisa demonstrar ao mundo que gosta. entende?



nota importante: aprenda um pouco mais sobre o significado da palavra "entertainers", busque significados análogos, figuras de linguagem e veja se consegue traçar um paralelo entre o que descobrir e aquilo que você descobrir e aquilo que o seu artista preferido faz no palco... (fica a dica)



.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

constatação





Se você não pode fazer parte do presente, não tem porque ficar se remoendo pelo saudosismo do passado...


.




domingo, 23 de outubro de 2011

blá blá blá





Diz-se, inclusive, que após dez minutos de conversa, é provável que o foco do assunto seja perdido, e aí as pessoas passam a discutir milhões de outras coisas, liberando traumas e coisas que não têm nada a ver com a situação inicial. E isso, agora, me é tão nítido, que se o fora anteriormente, talvez tivesse evitado muito mais desgastes desnecessários.



.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

sob a água





Se não fosse o soluço, é bem provável que o choro passasse despercebido quando olhado de fora. Mas por dentro, aquela água toda que caía quente do chuveiro era a minha alma sendo lavada. 
Alma despedaçada é mais problemática do que dor física pelo simples fato de não ter ferida a ser curada. Dói e machuca sem exteriorizar ao mundo.
Enquanto a água caía na cabeça e escorria por todo o corpo, eu suspirei profundamente, uma, duas, três, várias vezes para oxigenar os pensamentos. Mas não houve jeito, o coração aperta os sentimentos e a vontade é de gritar, mas e a força que não existe?
 Meu peito se apertando, o nó na garganta se formando. A dor voltando… me martirizo com as lembranças. E o aperto do peito aumenta, as lembranças.  
Eu quis muito lutar contra os fatos, mas agora eu não quero nem refletir, não quero ter que escolher, nem enfrentar os meus medos. Agora, quero apenas que tudo vá embora como a água que vai pelo ralo e segue seu fluxo.
Queria ser forte a ponto de me livrar de toda essa angústia, de conseguir escolher pelo que a razão me manda e não pela emoção que me camufla os fatos e distorce as escolhas. Queria saber escolher o que é melhor pra mim.

Quero, queria, não quero, não sei, talvez...



É um aperto no peito e uma aflição no estomago, sabe?

É, também, uma vontade de viver tudo, tudo, tudo, tudo e ao mesmo tempo e, no final das contas, de morrer trancado no quarto.
É uma falta de concentração que me atrapalha a vida e ao mesmo tempo me impede de experimentar novas sensações. E isso me restringe.

E isso é muito rápido, atormentador, forte, feroz, urgente: curto e certeiro;

Profundo!




.