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segunda-feira, 16 de julho de 2012

e eu tô tentando...






Na verdade o que a gente quer é ser aceito, alem de amado, é claro!
Há aqueles que negam, que fingem que não ligam a mínima para o que os outros pensam, mas na verdade, nem é preciso ir muito a fundo para descobrir que o que ser humano mais anseia é a aceitação.
E eu não sou diferente, só queria que as pessoas descobrissem que eu não faço as coisas por mal. Nem pelo meu, nem pelo delas. Nem mesmo quando praguejo sou capaz de causar tal situação. Talvez só em casos extremos, e olhe lá.
Eu só queria viver em paz... e óh, to me esforçando pra ser melhor, juro!



sexta-feira, 6 de julho de 2012

PAINEIRA OU UM AMOR ATRASADO






Ansiava em subir numa paineira. Meu desejo irrealizado de telhado, mas ela tinha espinhos avantajados, que não davam para dobrar como os da roseira. Espinhos fortes, agudos, medievais. Observava a árvore na praça, como um órfão admira o pai de um colega ou como quem esconde da professora o atraso da mãe na saída da escola. Tocava-me a nostalgia do que nunca poderia fazer. A paineira, intransponível com suas pontas de lança. Os galhos muito acima da minha capacidade de encurtá-los. 


Deixei esse sonho de lado, como muitos outros, sem mexer ou importuná-los, fingindo que não me conheciam. Ao empurrar meu filho no balanço, na mesma praça que freqüentava quando pequeno, assusto-me com a mobilidade de uma criança alçando justamente a paineira impossível. Não havia percebido, o que ela propôs foi simples: usava os espinhos como degraus. A paineira ficava mais fácil de subir, porque naturalmente apresentava os grampos do alpinista em sua crosta. A criança se elevava com ligeireza e alegria, ainda gritou de cima. Avistava um continente estranho. 

Não havia insistido. Muito menos ensaiado vôos pelas cordas das mãos. Sondava somente o langor dos espinhos, concentrado na dor que eles poderiam me provocar, no ferimento que ainda não existia, nos joelhos esfolados que deveria levar para casa. Não cogitei os espinhos como os ombros que me conduziriam ao alto, como um modo de me proteger. 

Uma amiga esperou três anos para que um amor se resolvesse por ela. Viveram juntos, se separaram. Faltava cumplicidade, não ser esquecida pelo seu olfato. Faltava que ele dissesse que não conseguiria ficar sem ela, que ao menos sentia saudades. Ela praguejou escondida, suportou as olheiras, encabulou meses de convívio, tentou ser forte, mudou de planos, pensou que enlouqueceria caso não se abrisse para alguém, não se abriu e enlouqueceu, arrebentou-se em segredo para sofrer sem que ele visse que sofria. 

Na última semana, ela se reencontrou novamente com o ex. Num ônibus, entre passageiros que nada tinham com isso, ele finalmente declarou sua paixão e expressou todas as palavras que ela queria ouvir. Todas. Até aquelas que não ouviria, pois era vaidade demais imaginá-las. Perguntou inclusive se ela continuava usando o mesmo perfume. Ela riu: "Sim, eu não mudei de perfume." Talvez tenha mudado de corpo, de perfume não. Ele riu, acreditou que ainda era tempo, que ela o aceitaria de volta.

Ela afastou os braços dele dos seus ombros. Com ternura. Uma ternura de quem soube avançar pelos espinhos e enxerga a vida da copa das árvores, com mais altura do que o vento. Com mais discernimento. 

A paineira me ensinou a não temê-la. 

Um amor atrasado não é amor. Um amor atrasado é amizade depois de um amor que não aconteceu. 



por Fabrício Carpinejar



segunda-feira, 25 de junho de 2012

Não canse quem te quer bem





Foi durante o programa Saia Justa que a atriz Camila Morgado, discutindo sobre a chatice dos outros (e a nossa própria), lançou a frase: Não canse quem te quer bem. Diz ela que ouviu isso em algum lugar, mas enquanto não consegue lembrar a fonte, dou a ela a posse provisória desse achado. 

Não canse quem te quer bem. Ah, se conseguíssemos manter sob controle nosso ímpeto de apoquentar. Mas não. Uns mais, outros menos, todos passam do limite na arte de encher os tubos. Ou contando uma história que não acaba nunca, ou pior: contando uma história que não acaba nunca cujos protagonistas ninguém ouviu falar. Deveria ser crime inafiançável ficar contando longos causos sobre gente que não conhecemos e por quem não temos o menor interesse. Se for história de doença, então, cadeira elétrica. 

Não canse quem te quer bem. Evite repetir sempre a mesma queixa. Desabafar com amigos, ok. Pedir conselho, ok também, é uma demonstração de carinho e confiança. Agora, ficar anos alugando os ouvidos alheios com as mesmas reclamações, dá licença. Troque o disco. Seus amigos gostam tanto de você, merecem saber que você é capaz de diversificar suas lamúrias. 

Não canse quem te quer bem. Garçons foram treinados para te querer bem. Então não peça para trocar todos os ingredientes do risoto que você solicitou – escolha uma pizza e fim. 

Seu namorado te quer muito bem. Não o obrigue a esperar pelos 20 vestidos que você vai experimentar antes de sair – pense antes no que vai usar. E discutir a relação, só uma vez por ano, se não houver outra saída. 

Sua namorada também te quer muito bem. Não a amole pedindo para ela posar para 297 fotos no fim de semana em Gramado. Todo mundo já sabe como é Gramado. Tirem duas, como lembrança, e aproveitem o resto do tempo. 

Não canse quem te quer bem. Não peça dinheiro emprestado pra quem vai ficar constrangido em negar. Não exija uma dedicatória especial só porque você é parente do autor do livro. E não exagere ao mostrar fotografias. Se o local que você visitou é realmente incrível, mostre três, quatro no máximo. Na verdade, fotografia a gente só mostra pra mãe e para aqueles que também aparecem na foto. 

Não canse quem te quer bem. Não faça seus filhos demonstrarem dotes artísticos (cantar, dançar, tocar violão) na frente das visitas. Por amor a eles e pelas visitas. 

Implicâncias quase sempre são demonstrações de afeto. Você não implica com quem te esnoba, apenas com quem possui laços fraternos. Se um amigo é barrigudo, será sobre a barriga dele que faremos piada. Se temos uma amiga que sempre chega atrasada, o atraso dela será brindado com sarcasmo. Se nosso filho é cabeludo, “quando é que tu vai cortar esse cabelo, guri?” será a pergunta que faremos de segunda a domingo. Implicar é uma maneira de confirmar a intimidade. Mas os íntimos poderiam se elogiar, pra variar. 

Não canse quem te quer bem. Se não consegue resistir a dar uma chateada, seja mala com pessoas que não te conhecem. Só esses poderão se afastar, cortar o assunto, te dar um chega pra lá. Quem te quer bem vai te ouvir até o fim e ainda vai fazer de conta que está se divertindo. Coitado. Prive-o desse infortúnio. Ele não tem culpa de gostar de você.

Martha Medeiros




domingo, 17 de junho de 2012

preciso




VOCÊ ME FAZ BEM, 
MAS ME IRRITA TAMBÉM....


é sempre assim,
contraditório mas tão preciso!



domingo, 6 de maio de 2012

QAF, eu e você...



na foto: Michael, Brian e Justin





O que eu vou fazer hoje não é nada mais do que uma resenha de uma série muito famosa de TV, mas que poderia facilmente a minha história de vida, como também de muitas pessoas que eu conheço e em muitos momentos.
Mudam-se algumas histórias, mudam alguns personagens, mas o enredo no final é quase sempre o mesmo, o mesmo plano de fundo.
A série famosa é a “Queer as folk”, exibido no Brasil com o nome de “Os Assumidos”. Recentemente eu re-assisti alguns episódios por causa de um amigo que começou o “vício” pelo seriado e como ele quis os DVDs emprestados, peguei os meus e fui testar para ver se estavam funcionando corretamente. Passando rapidamente pelas primeiras temporadas, fui direto para a última, e assisti alguns episódios, incluindo os dois últimos capitulos.
Um filme passou na minha cabeça e eu me lembrei do aperto no peito que essa série causou na minha cabeça, mas mais do que isso, me veio várias vidas, varias histórias, vários personagens... Aquela sensação de frio na espinha
O que me chama atenção na trama não é nem o excesso de drogas, a promiscuidade dos personagens, ou a volatidade dos sentimentos. Esssa visão é a que todo mundo tem ao ver a séria, a minda é diferente, comigo é a semelhança dos sentimentos, dos personagens, do modo de agir de determinados personagens.
Vou fazer um resumão do que eu acho importante... vamos aos personanges:
Primeiro o tímido (e fofo) Michael (Mike), que se descreve como "aquele cara quase bonito que passou por você", ele é o amigo pra todas as horas (e por ser o bonzinho é o que sempre se ferra) e que tem aqueles olhinhos de “cão-sem-dono” que ninguém resiste. Tem um emprego de vendedor em uma grande rede de lojas, e dificilmente alguém o apontaria como gay com base em uma conversa de elevador. Ele é inteligente e sonhador, fã de histórias em quadrinhos e tem uma paixão platônica por Brian Kinney, seu amigo desde a época de escola.
 Já o Brian não poderia ser mais diferente de Michael. Ele é o cara lindo que todos querem, bem sucedido e seguro. Ele é simplesmente “o cara”. É ele que faz com que o mundo gire em torno ao seu redor. Onde ele chega o mundo para, porque ele é o pegador.
No entanto essa longa amizade – e confusa - dos dois, beira (mas só beira) a um caso de amor. O problema é que o imaturo Brian possui uma relação de dependência com Michael.
Logo de cara, no primeiro episódio acho que a vontade de todas as pessoas é que Mike e Brian formem um casal, mas isso infelizmente não vai acontecer. Esse grupo de amigo vai sofrer muita reviravolta durante as cinco temporadas, muitos personagens vão entrar, muitos vão sair, muitos personages vão sofrer para poder amadurecer.
Brian vai ter o seu papel de macho-alfa e vai doar o seu sêmen para o casal de lésbicas para que elas possam ter o tão sonhado filhos, mas tal fato quase não tem influencia na vida dele. Ter ou não um filho é quase irrelevante para o estilo de vida do garanhão. Mais importante para ele é estar presente na balada (Babylon), transar com os caras mais gatos possíveis e se fazer presente.
Até que um belo dia aparece um novo elemento na trama: Justin, um rapaz de dezessete anos que se envolve com Brian.
Justin é cativante e tem um rosto angelical que vai em contrapartida a uma maturidade assustadora, que contrasta com as atitudes imaturas de Brian. Tem uma sensibilidade ímpar que ele canaliza nas artes. Essa maturidade o faz relevar os ciúmes de Michael.
O contrastante é desabrochar da maturidade do Justin que começa a viver plenamente sua sexualidade, enquanto vive uma paixão com Brian que é um poço de soberba e imaturidade, enquanto paralelamente a isso Michael luta (mesmo que internamente) para definir qual é exatamente sua relação com Brian.
Brian, Brian, Brian... Tudo por não ter olhos para enxergar o quanto Michael sofre por ele e pelas situações causadas por suas duvidas e tudo o que isso ocasiona no grupo.
O mais dificil da série é ver que o nosso desejo não se concretiza mesmo. O Brian não consegue ver o quão especial Michael é em sua vida e o quanto ele representa e, embora o Justin seja uma graça ele também sofre ao seu lado.
Brian não foi feito para ter um relacionamento. Apesar de amá-lo, Justin passa por cima de seus princípios para ficar ao lado de Brian até o fim. Individualista,  Brian não aceita que Justin desista de seus sonhos para viver ao seu lado da mesma forma que ele nem cogita a ideia de se prender a alguém.
Mas como tudo, a arte imita a vida, certo? Sim... E Brian, mesmo que ao seu jeito acaba se envolvendo com Brian e no final, até que ao seu modo, se apaixonando pelo Justin ao ponto de querer ter uma noite de “amor” com ele.
Mas já não eram mais eles, já não dava mais certo e por isso terminou. Justin não queria que Brian deixasse de ser quem ele era e Brian não deixou de ir atrás de seus sonhos (por incentivo do próprio Brian) para viver o que poderia ser seu grande amor.
O conto de fadas, o castelo dos sonhos... nada disto aconteceu! Tudo disso ruiu diante dos dois. Brian e Justin não ficam juntos com a promessa de que se um dia tiverem de se amar, o farão independente do tempo. (O que eu acho a maior balela do mundo!)
Já o Michael, o fofinho, que só se ferra, depois de muito penar, de muito sofrer, acaba conhecendo um cara bonitão, boa-pinta, que se apaixona por ele, formam uma bela família, adotam um adolescente problemático e tem a sua família feliz.
É um final lindo para o Michael se não fosse pelo fato que, pra mim, no fundo dos olhos dele, eu sempre veja uma ponta de sentimento incompreendido (e não correspondido) pelo amigo Brian e que de tão reprimido se torna uma eterna amargura que o impede de ser feliz por completo. Mas ao olhos do mundo, tudo está plenamente feliz...
E assim se fecha o ciclo vicioso de “Queer as folk”...
Qual personagem lhe cabe nessa história? Só não se esqueça que existem outros personagens... mas na minha visão, são esses os essenciais à trama. São os que ME interessam...
Mas como diria o poeta Cazuza em forma de pergunta: “Mentiras sinceras te interessam?”



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

é o que você tem feito?












"O principal é não mentir para si mesmo. Quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade nem em si, nem nos outros e, portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais. Sem respeitar ninguém, deixa de amar e, sem ter amor, para se ocupar e se distrair entrega-se a paixões e prazeres grosseiros e acaba na total bestialidade em seus vícios, e tudo isso movido pela contínua mentira para os outros e para si mesmo."




in DOSTOIÉVSKI, Fiodór M. in Os Irmãos Karamázov Página 72, Tradução Paulo Bezerra, Ed. 34






quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

e no espelho,





tem horas que você para e diz: 
eu não aguento mais ser forte...


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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

That's What I Am





Acabei de assistir "That's What I Am" e apesar de ser cheio de clichês e até meio piegas em determinados momentos, é realmente bom pra gente traçar algumas nuances entre o comportamento humano.
Ah, sem contar como foi muito bem reparado pelo meu quase-companheiro de sessão, digo quase porque ele dormiu 90% do filme e foi embora antes de terminar, então foi uma pseudo-companhia mesmo.
Mas focando no filme acho que no último diálogo do filme surgiu a melhor frase e que, com certeza, merece destaque:

"acredito que a VIDA 
seja sobre tempo, 
oportunidade 
e escolhas..."

E com certeza essa é a moral da nossa história, da nossa vida que é justamente a união e aplicação deste fatores.
E aí, como é a sua vida?


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

#acreditar







"Há muitas pessoas que não acreditam no amor. Eu acredito, na verdade, eu preciso acreditar. Não posso considerar que essa parte tão grande em mim, capaz de tanto amor, seja fruto de algo que não exista em algum lugar, além do meu peito. Amor a gente não busca no mundo, amor não tá lá fora, à venda, à disposição. Amor é algo de dentro que, quando você encontra alguém que você guarda dentro e que também guarde você dentro, faz o mundo aqui fora parecer menos vazio e distante. As pessoas têm problemas no trabalho, as pessoas tem problemas de saúde, as pessoas tem problemas familiares, mas ninguém sai por aí dizendo que o trabalho não existe, que a saúde não existe ou que família não existe. No entanto, alguns cínicos com seus corações machucados querem nos fazer acreditar que o amor não existe. Sempre que alguém amargurado e amargo te disser que o amor não existe lembre-se: o amor existe, o que não existe é a perfeição. Tudo na vida a gente luta para conseguir e luta mais ainda para manter, é assim com tudo e é assim também com o amor. Essa é a verdade nua e crua: existe amor, mas também existem pessoas que não sabem amar. Eu não faço como essas pessoas que tentam dizer que o amor é uma bobagem, uma ilusão. E não é porque eu amo e sou amado, não é porque eu tenho um lindo namorado. Não! Estou só, e assim estive em todos os dias das minhas duas décadas de vida. Já sofri muito por amor. Já me iludi e me enganei. Já fui iludido e enganado. Meu amor já foi usado apenas para massagear egos, realizar favores e/ou conquistar prazeres da carne. Meu coração já foi partido por diversas e milhares de vezes, mas ainda há o poder de se regenerar em minha alma. Defendo o amor, defendo que as pessoas se amem, eu quero que você acredite no amor. Não vou querer privar o mundo do que não tenho. Não é porque ainda não deu certo para mim que não vai dar certo para você, vai dar certo sim! E, assim, quanto mais pessoas acreditarem no amor mais chances eu tenho de um dia encontrar quem também acredite e, nesse dia, além de amar eu também serei amado e terei orgulho de dizer: sim, o amor existe, pois existe eu e você."


..


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

erro recorrente



Eu nunca digo tudo o que eu devia dizer. Não, eu nunca digo. Eu simplesmente seguro dentro de mim. Mas o pior é viver aconselhando as pessoas dizendo que os problemas não somem quando ignorados, eles simplesmente vão aumentando a espera de solução. Mesmo assim continuo no faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Sim, se conselhos fossem bons... 
Mas  essa semana eu assisti um filme que me fez refletir muito sobre isso, pra ser sincero foi mais um soco no meio do estômago quando vi o melhor amigo de uma personagem dizer, resumidamente, que o luto do personagem era por ele se sentir melhor que os outros, que ela sempre ajudava as pessoas, mas quando era pra se ajudar, ela se fechava e vivia num luto sem fim... e por quê? porque ela se sentia melhor que os outros? que ninguém era tão bom que não podia ajudá-la?
Bom, eu preciso confessar que não achei que a carapuça me serviu totalmente, porque não acho que penso totalmente dessa maneira, mas que isso me fez refletir sobre minha vida, isso fez. 
A pergunta que fica agora é: O que eu fiz da minha vida?


Meu tempo não acabou de qualquer forma, só acho que ele simplesmente foi usado de forma errada.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

sob a água





Se não fosse o soluço, é bem provável que o choro passasse despercebido quando olhado de fora. Mas por dentro, aquela água toda que caía quente do chuveiro era a minha alma sendo lavada. 
Alma despedaçada é mais problemática do que dor física pelo simples fato de não ter ferida a ser curada. Dói e machuca sem exteriorizar ao mundo.
Enquanto a água caía na cabeça e escorria por todo o corpo, eu suspirei profundamente, uma, duas, três, várias vezes para oxigenar os pensamentos. Mas não houve jeito, o coração aperta os sentimentos e a vontade é de gritar, mas e a força que não existe?
 Meu peito se apertando, o nó na garganta se formando. A dor voltando… me martirizo com as lembranças. E o aperto do peito aumenta, as lembranças.  
Eu quis muito lutar contra os fatos, mas agora eu não quero nem refletir, não quero ter que escolher, nem enfrentar os meus medos. Agora, quero apenas que tudo vá embora como a água que vai pelo ralo e segue seu fluxo.
Queria ser forte a ponto de me livrar de toda essa angústia, de conseguir escolher pelo que a razão me manda e não pela emoção que me camufla os fatos e distorce as escolhas. Queria saber escolher o que é melhor pra mim.

Quero, queria, não quero, não sei, talvez...



É um aperto no peito e uma aflição no estomago, sabe?

É, também, uma vontade de viver tudo, tudo, tudo, tudo e ao mesmo tempo e, no final das contas, de morrer trancado no quarto.
É uma falta de concentração que me atrapalha a vida e ao mesmo tempo me impede de experimentar novas sensações. E isso me restringe.

E isso é muito rápido, atormentador, forte, feroz, urgente: curto e certeiro;

Profundo!




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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

diálogos aleatórios




- Demorou quanto tempo?
- Na sua vida, meses. Na minha, anos.
- Foi difícil?
- Ainda é.




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domingo, 5 de junho de 2011

autoritarismo e liberdade





Você é autoritário com você?
Pense bem, você acredita que sua vida deve ter regras. Porque muitas vezes acredita que “sem regras”, você vai se “largar”. Porem existe uma grande diferença entre o livre e o “largado”.
Se você entrar no “largado” vai ter um resultado ruim na sua vida. Porque toda vez que você se omite com relação a si mesmo terá resultados negativos.
Vamos considerar o termo “se largar” com ser negligente com relação aquilo que você quer, e com aquilo que você pode ter na vida. Nestes casos você estará cometendo o “pior dos erros”, porque ao se “largar”, através deste seu comportamento negligente, você não conseguirá aquilo que você quer e pode ter na vida.
Você se abandona, e “larga” os seus desejos e vontades. TUDO parece distante e impossível.
Muitas vezes a pessoa negligente com ela mesmo acaba entrando em estados de desanimo, de fuga da vida, de tristezas e “vazios”.
Você já percebeu que quando você é extremamente autoritário com você mesmo, se exigindo, você acaba indo para um “outro lado”?
É claro que para não ser negligente você diz que tem que ser firme e autoritário com você mesmo. Porem , o que você não percebe, é que o seu lado “largado”, existe exatamente por causa do seu autoritarismo. O “monstro” do autoritarismo precede a sua “vagabundagem”; a sua falta de compromisso e consideração com você mesmo.
Você é tão autoritário e persecutório com você mesmo, que a única maneira de “escapar”, é se “largar”.
Ninguém quer ter disciplina. Até mesmo porque, o termo disciplina é freqüentemente associado com situações que preferimos evitar como: “disciplina militar”, “disciplina de colégio interno”, etc...
Porem, a disciplina é diferente do autoritarismo. Disciplina não deve ser associada com a obediência que vem do mando e da servidão. Exatamente o contrario disso, disciplina deve ser encarada como a inteligência a serviço de um ganho.
Disciplina tem a ver com energia. Um gasto a favor de uma ação. Tudo que é inteligência na ação, para fazer, para obter. A disciplina envolve a adoção de métodos.
Ter um método é facilitar alguma coisa. E os métodos são mutáveis, porque sempre existem outras formas de se fazer e/ou obter alguma coisa. O método e a disciplina são formas melhores e mais fáceis de fazermos as coisas, de nos aperfeiçoarmos.
O problema é que você não se “vê”. Quando alguma coisa não vai bem na sua vida, quando você não esta conseguindo ter resultados positivos com alguma situação externa, ou com você mesmo. O que você faz? Em primeiro lugar você se condena e se culpa. Alem de se encher de “deverias”. “Eu deveria isso”, “Eu deveria aquilo”. Quer dizer você não se permite olhar para si mesmo, se entendendo.Conhecendo e compreendendo as suas condições. Entendendo o que você pode fazer naquela situação.
Você não “vê” nada, e quer impor. É daí que nascem a mentira, a defesa, a revolta que você tem com relação a você mesmo. Tudo isso nasce da sua rigidez.
Quando você “sai de baixo” da sua própria autoridade, você continua querendo as coisas, mas de uma forma mais leve, sem ter que brigar com você mesmo, sem você “em cima”, se oprimindo.
Imagine a seguinte situação: Você tem uma determinada tarefa para ser feita. Caso esta tarefa seja um “trabalho” você a encara de uma maneira completamente diferente se esta tarefa fosse vista como férias. Muda completamente a sua maneira de reagir e se comportar embora a tarefa seja a mesma. O seu ponto de vista muda.
Se você é um artista como um pintor, aquele é o seu trabalho, e por causa disso existe uma serie de “pressões”, de “tem que”, para você se cobrar. É tanta pressão que um período de férias, não só é desejado como até mesmo necessário. A pessoa precisa se afastar daquilo que causa tamanho stress. Porem, para quem não é um pintor; talvez o sonho de férias e descanso ideais seria poder passar vários dias “só” pintando. Quer dizer, as tarefas são as mesmas, porem a maneira de “ver” é completamente diferente. E, é esta maneira de “ver” que faz toda a diferença.
Conforme você vê , sente.
Você pensa que uma serie de tarefas, de coisas que você tem que fazer são “ruins”. Mas elas não são ruins, isto é apenas “modo de ver”. Quantas pessoas “encaram” estas mesmas tarefas de maneira mais “leve”, sem fazer o “drama”, a “opera” que você faz.
Muita da sua indisciplina da sua vontade de “largar” as coisas, vem exatamente da sua visão. E, é esta “visão”, que faz com que você tenha a “falsa” idéia de que ser autoritário com você, é a única maneira de fazer você “andar”. Ser autoritário não é o que vai te fazer “andar”. O que vai te motivar é “ver” diferente. Ter uma “visão”, adotar um ponto de vista que te “liberte”.
Quando você fica livre, você fica leve, e sua motivação aumenta.
Você não tem “que deveria”, nada. Porem, pode adotar uma disciplina, um método, porque dessa forma, você e o que você planeja terão um resultado muito mais positivo.
Se organizar é a melhor maneira de “funcionar”. Mas sem obrigação.
Nos vivemos e crescemos com autoridade e este não é o melhor modo de você funcionar.
Você só é livre quando não exerce um papel autoritário com você mesmo.
Tudo que existe você pode questionar e olhar de outra maneira.
De um lado a sua vida é “chata”, no outro é “ativa”. Você pode escolher.
De um ponto de vista sua vida “não tem nada” (falta tudo), de outro você tem tudo (e não falta nada).
Do lado do perdedor tudo esta errado, porque você constantemente se ocupa para ver o “ruim” das coisas. Com este comportamento você vive “paranóico” e sofre. O que você não percebe é que esta fazendo tudo para “se causar” desgraças. O perdedor sempre tem o “pior” constantemente presente “na cabeça”. Porem ,você pode inverter esta situação, e começar com uma mudança de atitude, vendo a situações, e a si mesmo, do ponto de vista do ganhador. Não alimentando o pior constante.
Você tem medo de se soltar, acredita que “sem mando” você não vai funcionar. Mas, isto acontece porque somos ensinados a não acreditar em nos mesmos. Concluímos que se nos deixarmos livres vamos nos “perder”.
Acredite que o único comportamento que faz você se “perder” de si mesmo é ser autoritário e exigente. Afinal não é exatamente deste tipo de pessoa que você quer manter distancia?
Por isso seja compreensivo com você mesmo.
Ou será que você não consegue entender que um pouco de compreensão, pode render resultados positivos muito mais rápidos, do que anos de autoritarismo e mando ?

(Escrito pela Drª. Valéria Lemos Palazzo)     


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