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quarta-feira, 2 de outubro de 2013





"Imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos
— acrescentem a esse mundo os detalhes que vocês quiserem (eu me satisfaço com um mar, um rio, orquídeas, uma colina no horizonte),
depois convidem pessoas azuis para se darem as mãos e fazerem uma grande concentração para concretizar esse mundo — e, então, quando ele estiver pronto, novo e reluzente como se tivesse sido envernizado, então nós nos encontraremos lá e eu não precisarei explicar nada, nem contar nenhuma estória escura, porque estórias claras estarão acontecendo à nossa volta e nós estaremos sendo aquilo que somos, sem nenhuma dureza, e o que fomos ficou dependurado em algum armário embutido, junto com sapatos (quem precisará deles para pisar na grama limpa dessa terra?), roupas e enfeites (quem precisará de panos, contas ou cores na terra onde o ar será colorido e enfeitará nossos corpos?)
— lá, eu digo, nós nos encontraremos entre centauros, sereias, unicórnios e duendes, e sem dizer nada, com um olhar verde (uma das minhas grandes frustrações sempre foi não ter olho verde — mas lá eu terei) eu direi o quanto gosto de vocês, e voaremos de tanta boniteza — combinado?"


Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

QUERIDO CAIO FERNANDO ABREU





Me explique, bruxo? Onde estiver me explique.

Como alguém pode vir morar contigo, dizer que te ama na noite anterior, e sumir de repente sem nenhum arrependimento?

Amor muda de ideia? Amor é leviano assim? Amor é brincar de destruir? 

O que digo agora também já está morrendo?

Morrer produz barulho, sei, mas e o barulho de viver? Não dá para ouvir daí?

Como do homens dos sonhos você se torna um homem sem sonho?

Como uma manhã sem falar doía nela e hoje o amanhã sem falar nem provoca ansiedade?

Como alguém não guarda em si o mínimo de autocrítica para refletir as últimas semanas?

Eu dividiria até meu egoísmo com ela. Não ficaria com ele sem partilhar. Como não se fracionar? No momento em que a gente se guarda a gente se perde, não?

Como alguém que ama decide alguma coisa? Logo no amor, Caio? Amor não é adiar? Amor não é humildade?

Vejo que o erro é arrogante, Caio. Como existe soberba na maldade, hein? 

Será que foi vingança de relações passadas? Eu era o intervalo de um ódio?

Será que não devia ser sincero, fiel, não podia confessar minhas fraquezas, falar o que temia? Honestidade não combina com amor? 

Eu que sou garrancho, arredondei a letra no caderno de caligrafia, escrevi entre as linhas de baixo e de cima, bem certinho, você ficaria orgulhoso conhecendo minha pressa, mas só você, Caio, só você sabe o enorme sacrifício que é escrever entre as linhas. 

Será que a felicidade machuca? Será que a felicidade nunca é suficiente? Será que os casais se separam porque acreditam que podem ser felizes sem ninguém? Ou acreditam que podem ser ainda mais felizes do que estão sendo? 

Será que a solidão mente o que somos?

Se o afeto sufoca, me diz, então, o que liberta?

Será que é só conhecer uma intimidade que somos empurrados para fora? Será que a pessoa não se gosta nem um pouco para admitir testemunhas? Será que sabemos demais, enxergamos demais, e nosso corpo é obrigado a desaparecer? Amar é coisa de máfia?

Será que recebemos a culpa por problemas pessoais? Que é mais fácil encerrar a relação do que assumir os medos?

O amor é um mal-entendido, é ilógico, Caio? Estou começando a crer nesta hipótese. 

Como alguém pode se entregar loucamente e depois alegar que nada tem mais importância?

Que piração é esta, Caio? Isso também acontece no mundo dos mortos? Ou os mortos são mais estáveis? Ou os mortos são mais confiáveis? 

Como alguém faz declaração pública de amor e depois diz que desejava invisibilidade?

Como confiar no silêncio se não há esperança?

Eu fingi que era diferente? Não expressei como era desde sempre, não avisei como funcionava?

Como alguém cultiva os meus amigos e filhos, defende o nosso destino, numa hora e na hora seguinte se mostra surda a todo conselho, surda a toda dúvida, surda a toda incerteza?

Como alguém pode jogar a história fora? Por facilidade? Não conheço nada fácil, nem a amizade. Não pode ser.

Será que ninguém mais lê mais poemas hoje, Caio? Poemas não têm final. O amor deveria ser como um livro de poesia. Para se ler fora de ordem. Para se ler um pouco por dia. Desprovido de desfecho. Poema é releitura na primeira leitura. 

Caio, não suporto que digam que mulher não gosta de homem que se entrega, que temos que omitir, que temos que jogar. É uma cilada machista, não lhe parece, para justificar a grosseria e a ausência de interesse?

O que será da intensidade longe da doação? 

Onde foi parar a delicadeza dela, a ternura de antes? Foi uma miragem? 

Onde as pessoas escondem o amor, Caio? Onde as pessoas enterram os ossos de suas alegrias?

Como alguém pode ser frio, indiferente, insensível a ponto de usar as frases mais duras e impessoais, sem se importar com o sofrimento que causa?

Como alguém manda mensagens como se estivesse realizando um favor? Que superioridade é esta? Cadê o nervosismo que pede um abraço?

Como alguém não se esforça para retroceder o baque, zerar os meses? Por amor, a gente apaga que nasceu um dia, não é mesmo? 

Como alguém não cancela sua atitude? Que obstinação é essa de machucar, de sangrar ruas e lugares prediletos?

Como alguém não sente saudade, não inventa saudade, não cria saudade? É um produto em falta por aqui, Caio, pode mandar material? Mande garoa de palavra para recriar saudade, por favor?

Como não retornar pela verdade, se eu voltaria ainda que fosse uma mentira?

Como não caminhar recuando se avançar é lembrar?

Como o outro termina sem conversar, termina por terminar, termina de modo cruel o que não havia sinalizado?

Como alguém emprega a porta para pisar as mãos, permanece agredindo quem merecia uma fresta de compreensão? 

Como alguém afirma que nada muda da noite para o dia e esquece as noites que mudaram seus dias?

Como esse mesmo alguém é outro, já outro, tão outro que nem sei mais quem fui?

Como não desconfiar do passado, como não imaginar que tudo foi uma mentira?

Como não se sentir usado pelos anjos, corrompido pela dor?

Como, Caio?

Alguém mentiu, Caio, para mim. Para si. E para todos. 

Eu não desisto do que falei um dia com todo o coração. Mas sou eu, Caio, sou eu. Não posso exigir isso de ninguém. 

Viver é incompreensível. 

Um beijo. Cuide-se.

Fabrício Carpinejar





Se ele ou qualquer outra pessoa te explicar Fabrício, me explica também, por favor!!! Aguardo ansioso...

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Não deu errado








Não deu errado. Nós tivemos a nossa chance e aproveitamos cada segundo. Mas as pessoas são diferentes. Têm gostos diferentes, pontos de vistas diferentes. Diga-me qual é o casal perfeito? Diga-me quem é que nunca briga? Nunca discorda sobre algo? Eu mesmo teria náuseas se sempre desse tudo certo entre a gente. É a vida. Viver a dois tem o seu preço. E às vezes, tem o seu fim. É claro que não seríamos como nossos avós. O mundo hoje é moderno. Os casamentos não são mais arranjados. Não se casa aos 15 anos, ainda por cima virgem, e se vive com o mesmo cara pelo resto da vida até completar bodas de papel, prata, ouro ou sei lá mais o que. Mas de certa forma, nós também completamos nossas bodas. Bodas de dinamite e acabamos explodindo pelo ar. Mas não estou aqui pra falar do lado ruim da coisa. Tivemos nossas histórias. Mas como toda boa história o fim tem que ser trágico ou pelo menos, dramático. Tudo aquilo que é previsível, é chato. O leitor fica frustrado quando as coisas acabam do jeito que ele previu. Mas nós, não. Com a gente foi diferente. Ter um fim nunca esteve no roteiro, mas aconteceu. Nós também acontecemos. Existimos. E tudo bem se cada um seguiu com a sua vida. Normal se cada um foi pro seu lado.

[in Querido John]


domingo, 9 de junho de 2013

Nunca passa... mas quase passa todos os dias...





Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente. 
Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo. 
Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente. 
Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias. 
Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho
Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada. 
Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: “Ei, não quer conhecer minha casa nova?” Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca. 
Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro. 
Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto. 
O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é.

Tati Bernardi

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

portas





Você disse que uma certeza é uma porta fechada enquanto a dúvida são várias portas abertas.
Eu não concordo muito com essa afirmação, entretanto eu tenho a certeza de que, embora não seja a afirmação que eu queria, pelo menos é conclusiva.
Eu reitero que as dúvidas corroem, e é nesse ponto que ela é melhor ter certeza, mesmo que a certeza seja de um NÃO.
Só não podemos esquecer que a certeza ao mesmo tempo que é libertadora, fecha as portas e as vezes, com chaves.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

3!







Essa é a verdade. Que dói, que corrói, que dilacera por dentro enquanto o mundo continua acontecendo a sua volta. Dói porque ninguém pode fazer nada. Dói porque nem você pode fazer nada. Impotência meu caro, impotência!
E as pessoas continuam passando e você encostado no muro, com o celular na mão, querendo se encolher , se esconder, se proteger... Mas não, o mundo simplesmente continua girando e as pessoas passando.
A senhorinha com aparência simpática quase esboça uma reação ao olhar pros seus olhos vermelhos e doloridos mas provavelmente, como todos, prefere ficar em silêncio, porque interpelar um estranho na rua ainda não é visto com bons olhos.
E você olha do outro lado da rua como quem olha pro infinito ao longe e não acredita na distância entre os mundos. É tudo ilusão. Tudo fruto das nossas vivências, dos nossos sentimentos. Mas tudo parece não ter fim.
Mas só parece. Parece porque é hoje, agora. Amanhã essa visão turva será outra, talvez menos obscura, talvez menos nebulosa, mas com certeza diferente dessa rua que você enxerga agora.
Então você enxuga os olhos, enxuga a lágrima que escorre no cantos dos olhos, relê a mensagem e bloqueia  a tela do celular como se isso fosse mudar as coisas. E então o guarda no bolso externo da mochila, coloca o capacete, sobe na moto, dá partida e vai embora pela rua passando pelas pessoas como se nada tivesse acontecido enquanto o vento bate no seu rosto.
Neste momento você não é ninguém, as pessoas que passam por você simplesmente passam, elas não existem da mesma forma em que você não está existindo. Você está ali por um mero acaso, pois se dependesse da sua vontade, talvez não estivesse... ainda é o torpor das peças que a vida lhe proporcionou!
É a terceira vez que você cai, por enquanto.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

porque é como tem que ser...








"No primeiro dia pensei em me matar. No segundo, em virar padre. No terceiro, em beber até cair. No quarto, pensei em escrever uma carta para Marcela. No quinto, comecei a pensar na Europa e no sexto comecei a sonhar com as noites em Lisboa. Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu."




[Machado de Assis in Memórias póstumas de Brás Cubas]


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

escolhas






Tudo bem que a gente tem que dar o primeiro passo, depois insistir, por vezes até persistir para alcançar o êxito. Mas, na minha não tão modesta opinião, isso não funciona para com as pessoas. Não deixe as coisas subentendidas, fale o que você pense, corra atrás de quem você quer. Só não espere ser tarde demais para os seus planos. Se tempo não espera, por que as pessoas haveriam de esperar? A sua vida nao é nada mais do que o reflexo das suas atitudes! Portanto não fique se achando injustiçado ou abençoado, você será aquilo que escolheu ser...


domingo, 9 de setembro de 2012

Marlonzinho





Garoto Modelo Depois de ter o pai assassinado a tiros e sobreviver a um câncer pesado, um garoto de Santa Catarina se torna o mais bem-sucedido modelo brasileiro da história
Se Gisele Bündchen tivesse um correspondente no hemisfério masculino do planeta da “modelagem”, ele provavelmente atenderia por Marlon Teixeira. Este é o nome do garoto de 21 anos nascido e criado nas praias do Balneário Camboriú, na bela e Santa Catarina.
Hoje um dos mais requisitados e festejados modelos do mundo, Marlon não teve exatamente uma vida fácil até ser descoberto por um amigo da família que dirigia uma agência de modelos catarinense. O pai foi assassinado à bala quando o menino tinha apenas 1 ano e meio de idade, numa situação sobre a qual, por razões compreensíveis, não gosta de se alongar. Dois anos depois recebeu um diagnóstico pesado: tinha câncer no mediastino, área da caixa torácica que engloba esôfago, traqueia e coração. Praticamente morou no hospital, de onde só foi receber alta aos 7 anos. “Vi um monte de amiguinhos irem dormir e não acordarem mais…acabei descobrindo a morte muito cedo”, relatou o garoto à jornalista Luciana Obniski, que o entrevistou para a edição de setembro da “TPM” que traz o ensaio sensual com o modelo, de onde saiu a amostra que você vê aqui.
Ter sobrevivido a tudo isso e à pouca grana, as aulas de surfe que começou a dar ainda adolescente, o 1,87 m de altura e uma certa vocação para bicho solto talvez sejam fatores relevantes na equação que resultou num dos mais atraentes representantes da estética masculina vigente no mundo da moda, ao menos nas opiniões abalizadas de marcas como Armani, Dior, Dolce & Gabbana, Cavalli e outros clientes respeitáveis. Especula-se que os cachês de Marlon tenham crescido 20 vezes nos últimos quatro anos. Remunerações de seis dígitos, mais comuns no mundo da moda para as mulheres, já são uma realidade na vida dele. O certo é que o menino de Camboriú que se tornou o mais reconhecido e bem pago modelo brasileiro vive hoje sem reclamar muito, num belíssimo apartamento em Manhattan que divide com outro modelo. Diz que está guardando dinheiro para dar uma vida confortável à sua futura família, que está solteiro, fala sobre o sofrimento de um relacionamento rompido algum tempo atrás, que gosta mesmo é das brasileiras e que acha namoro algo pra ser levado a sério. Um garoto modelo?



E aí a gente olha pra essa carinha dele e nem imagina o que o cara passou pra chegar onde chegou... e muita gente reclamando de barriga cheia. Nessas horas é aquela tapão com luva de pilica bem no meio da fuça que a vida nos dá pra mostrar que as coisas não são como a gente imagina. 
Vamos ver o mundo com outros olhos, vamos?


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

pequenos detalhes, grandes recordações;






Sinceramente eu não sei o porquê de algumas atitudes que tomamos, mas sei que elas alteram nossos caminhos de uma forma que não podemos prever as consequências.
Cada pessoa que passa pela minha vida me deixa um tipo de recordação. 
Aqueles mais próximos, mais marcantes deixam além das marcas afetivas, deixam marcas físicas: são as materializações do passado no presente. E eu gosto destes pequenos detalhes. São simples objetos para alguns mas que com um toque trazem um imenso passado a tona para outros. Tudo depende do ponto de vista.
Mas algo tem acontecido agora. Algumas lembranças tem se tornado um pouco mais frequentes nos últimos dias e eu tenho revivido muitos momentos dos quais a gente acaba não controlando.
Se eu acertei, se alguém tinha razão, se ia dar certo... são questionamentos que não cabe se fazer agora porque simplesmente não vão alterar o presente e talvez só traga mais sofrimento.
Da afetividade o turbilhão que tem passado na minha cabeça eu controlo da forma como posso, como a gente aprende com a vida.
Mas hoje eu acho que extrapolei um pouco esse liame do afetivo/presencial. Pois do alto da minha destreza de mamute consegue quebrar um objeto que era mantido na minha sala desde quando eu ganhei de presente no meu aniversário. E esse objeto me remetia justamente à pessoa a qual eu tenho eu me refiro nesse texto.
Eu não sei qual é a representatividade disso na minha vida, mas o fato da minha estabanação acabou lascando mais que aquele objeto. Lascou uma parte de mim. E isso foi como matar uma parte da minha história.
Definitivamente isso me soa como um relato muito dramático, mas vindo de mim, isso não soaria nada estranho, seria até habitual. Entretanto, isto é apenas um breve registro que não tem o intuito de ser explicativo: está para o blog quase como a seleção dos eventos aleatórios do dia está para um diário. 
Talvez tenha sido um último voo; ou apenas uma espécie de renascimento... Só o tempo dirá!



quarta-feira, 1 de agosto de 2012

divã





Hoje eu encerrei o ANO II no divã. (e só a título ilustrativo aqui o ano não corresponde ao ciclo de 365 dias, é tão somente um indicativo periódico).
Mais uma fase se encerra, mais um ciclo completado.
Não sei exatamente qual é o balanço que eu cheguei disso tudo, mas segundo a minha terapeuta eu estou mais centrado e tive muitos progressos, o que é muito bom. 
A princípio esse término é um tipo de férias que logo voltará à programação normal, tipo seriado, mas o que vai acontecer nos próximos capítulos eu sinceramente não sei.
Só sei que hoje coloquei alguns pontos na minha vida. Pra ser sincero, não foi exatamente hoje. Talvez eles só tenham sido escritos hoje, mas estão sendo pensados há vários dias.
Tenho tido muito tempo sozinho com meus pensamentos, tenho estado longe de algumas coisas que me fazem mal e até de algumas coisas que eu achava que eram imprescindíveis na minha vida. E agora que fiquei sem, descobri que nada nessa vida é mesmo insubstituível e que a gente tem é que perder essa mania de achar que é.
Nestes últimos dias tenho enfrentados fantasmas que me atormentam diuturnamente e que se fortalecem com os meus medos, por isso são tão difíceis de se lidar, mas mesmo assim não tenho deixado de lutar.
Tenho tido minhas recaídas, e confesso que não tem sido poucas e, muitas delas me levaram ao fundo de mim mesmo, sem que ninguém viesse me dar a mão para trazer de volta. Talvez isso seja a parte que mais me doa, não ter com quem contar em certas horas.
Minto, acho que estou expondo as coisas da forma errada, o grande problema, não só meu, como da vida, e das pessoas de uma forma geral é a decepção gerada pela confiança que se deposita nas outras pessoas, sendo que na maioria das vezes a outra pessoa não tem nem ideia disso. Ok, algumas vezes até tem, mas a culpa de incidir nesse erro é nossa. Temos que ter a ciência de que não devemos projetar nossas expectativas nos outros porque a possibilidade de frustração só aumenta em proporções geométricas.
Enfim... tenho tentado lidar com as minhas frustrações, descobrindo que não adianta mudar o foco do problema como forma de escape. Muda-se somente a fonte.
Com algumas das últimas atitudes tenho aprendido (forçosamente) a lidar com o fracasso e o amargo das desilusões, mas isso não mata como eu já sabia. A gente vai aprendendo a ser mais forte com os nossos erros.
Se bem que as vezes dá uma vontade de fazer uma coisa que eu já citei aqui e eu descrevo como: "correr pra dentro...", mesmo sabendo que quase sempre isso não é possível...
Mas como diria um amigo sobre o caso: com o tempo tudo volto aos seus devidos lugares.
E vamos que vamos...



segunda-feira, 30 de julho de 2012

fatos





Eu preciso fazer uma confissão: eu não fui sincero com você. Alias, não tenho sido. Mas isso não quer dizer que as minhas palavras são falsas ou mentirosas. Não, elas não são. Eu só não disse a verdade. Talvez a verdade é que eu tenha me omitido nas palavras, pois nos gestos eles sempre foram os mais cristalinos possiveis.
Mas nesse ponto você há de convir comigo que se eu me omiti em dizer, você se omitiu em perguntar também. Ambos temos nossa parcela de culpa nessa história, eu mentindo pra mim que não é com nisso que eu penso todos os dias quando acordo sacrificando uma parte de mim e do outro lado, você mentindo pra si mesmo que debaixo do personagem não existe uma pessoa real e que também se omite, de si, dos outros e do mundo.
São extremos, são contrários e de tão antagônicos é que se completam. Mas como todos extremos também se repelem. Preenchem uma parte, mas expurgam outra, talvez por medo da sincronicidade das reações e sentimentos, embora o medo não seja melhor resposta ele é sempre uma das justificativas mais utilizadas.
Falo da minha parte, dos meus anseios, dos meus medos, dos meus sentimentos. Falo disso por experiência própria, mas falo de você com a propriedade de quem conhece a ti mais do que você gostaria as vezes. Mais do que o seu medo lhe permite que o restante do mundo conheça.
Existe mais de uma maneira de se enxergar a alma das pessoas. O grande problema e dificuldade em fazê-lo é que o outro tem que, além de estar aberto e disposto a isso, é doar-se ao próximo, dar mais de si do que receber em troca. E é aí que se encontra a dificuldade. O mundo de hoje não se tem pessoas preparadas para doar-se ao outro. O mundo prepara as pessoas para sugar o próximo e nada mais.
Já eu posso me vangloriar de ter essa disponibilidade com certas pessoas com quem a minha afinidade exacerba o limite do explicável. Não se define, apenas se sente o que a alma não delimita.
Eu tenho o canal aberto para enxergar o que as pessoas deixam aberto para o mundo, não é um dom, é só uma questão de querer enxergar aquilo que o outro evidencia, é uma situação latente.
  
Eu só me pergunto até que ponto estamos sendo honestos com a gente, se omitimos, se disfarçamos, vestimos as máscaras de nossos personagens “full time” a ponto de não nos reconhecermos nas nossas próprias feições, talvez tenhamos perdido nossas identidades para os personagens que criamos e que se alimenta da nossa fraqueza, dos nosso medos mais profundos e nos consome aos poucos. O Personagem vai se fundindo ao ator a ponto de não se desvincilhar mais.
É uma pergunta recorrente na minha mente. Aliada a uma série de fatores: Um dia a ficha vai cair?



segunda-feira, 16 de julho de 2012

e eu tô tentando...






Na verdade o que a gente quer é ser aceito, alem de amado, é claro!
Há aqueles que negam, que fingem que não ligam a mínima para o que os outros pensam, mas na verdade, nem é preciso ir muito a fundo para descobrir que o que ser humano mais anseia é a aceitação.
E eu não sou diferente, só queria que as pessoas descobrissem que eu não faço as coisas por mal. Nem pelo meu, nem pelo delas. Nem mesmo quando praguejo sou capaz de causar tal situação. Talvez só em casos extremos, e olhe lá.
Eu só queria viver em paz... e óh, to me esforçando pra ser melhor, juro!



terça-feira, 10 de julho de 2012

café forte...




- Uma xícara de café forte, por favor.

- Mas você não toma café.

- Eu sei. Não tomo normalmente, mas nos últimos tempos tenho precisado para me manter em pé.

- Isso não me parece bom.

- E realmente não é. Mas é assim que as coisas são.




Na verdade a loucura em que vivemos dificulta enxergar coisas com clareza, com uma perspectiva real, de quem enxerga com propriedade. Decifrar o que é realmente importante e conseguir distinguir daquilo que temos em mente naquele momento talvez seja a parte mais complicada..
E, no entanto, pra você, o que é realmente importante no meio de tudo isto? Você já parou pra se fazer essa pergunta?
Perguntas. É tão estranho questionar se você tem se feito perguntas. Porque o que  mais parece óbvio é, talvez, o que mais se esquece nessa vida.
Acho que eu preciso mesmo é de mais café para me manter firme.
O difícil é que com o café vem uma lucidez e uma sobriedade que machuca a alma e é tão, mas tão difícil de suportar que me faz questionar se com todo mundo é assim.
Sim, eu sei que todo mundo se dói, todos tem essa inquietação. Mas será que são aliadas à forte uma lucidez como a minha?
Então mais café e uma dose de não sentir, por favor. Só para ter o prazer do torpor, mesmo que por alguns instantes. 
E que o formigar dos dedos se estendam pelo corpo todo e chegue à alma ao ponto de torná-la serena e calma: introspecção com gosto de cafeína.




segunda-feira, 28 de maio de 2012

R-e-c-o-m-e-ç-a-r





Assim mesmo, 
pausando, 
devagar, 
pra ver se entra na cabeça.


segunda-feira, 14 de maio de 2012




Chorar não resolve, falar pouco é uma virtude, aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo. Para qualquer escolha se segue alguma consequência, vontades efêmeras não valem a pena, quem faz uma vez, não faz duas necessariamente, mas quem faz dez, com certeza faz onze. Perdoar é nobre, esquecer é quase impossível. Quem te merece não te faz chorar, quem gosta cuida, o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente, não é preciso perder pra aprender a dar valor, e os amigos ainda se contam nos dedos. Aos poucos você percebe o que vale a pena, o que se deve guardar pro resto da vida, e o que nunca deveria ter entrado nela. Não tem como esconder a verdade, nem tem como enterrar o passado, o tempo sempre vai ser o melhor remédio, mas seus resultados nem sempre são imediatos.

Charles Chaplin


quarta-feira, 2 de maio de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Às vezes






Às vezes eu me acho bonito
Muitas outras vezes não;

Às vezes eu sei falar
Mas muitas delas não sei calar
Às vezes eu acho demais
Às vezes eu procuro de menos
Mas acabo por não acho nada;

Às vezes eu quero ficar sozinho
Outras tantas vezes quero estar rodeado de pessoas
Mas às vezes eu quero somente uma pessoa ao meu lado;

Às vezes eu choro
Mas a maioria das vezes eu dou gargalhadas;
Mesmo que seja para disfarçar as lagrimas.

Às vezes eu encanto
Muitas vezes eu canto;
Mesmo que sozinho e no silêncio de mim mesmo.

Às vezes eu chego
Às vezes eu saio
Às vezes caio
Às vezes levanto
Às vezes corro
Às vezes fico
Às vezes ando;

Às vezes eu sou
Às vezes eu nem sei quem sou
Às vezes eu sou o outro
Às vezes eu não sou ninguém
Às vezes eu sou mais alguém
Ou só mais alguém;

Às vezes eu sou único
Ou o único
Às vezes eu sou mais um
Ou outro
Ou qualquer

Às vezes eu me conheço
Às vezes eu me estranho
Às vezes eu não me reconheço
Às vezes só me reconheço olhando no outro

Às vezes eu leio;
Às vezes eu escrevo.

Mas sempre me questiono o que sou ;
Essa é a minha essência...



domingo, 15 de abril de 2012

toc toc



é a última que morre né?



sábado, 14 de abril de 2012

conflitante





Qual é o tamanho da ilusão em que você vive? Será que você consegue ter o discernimento para enxergar até onde vai a fantasia que você cria diariamente para sobreviver (ou se ocultar) e saber onde começa a realidade?!? 

É uma simples constatação, mas que algumas pessoas insistem em não enxergar...