terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

se eu peco é na vontade


[...]

Depois de ter vivido o óbvio utópico
te beijar
e de ter brincado sobre a sinceridade

[...]

De perto eu não quis ver
que toda a anunciação era vã

[...]

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011




Estar em casa, como eu disse, depende do sentimento que carregamos dentro de nós e não do lugar físico que estamos.



domingo, 6 de fevereiro de 2011


Just 4 u!


ou vai ou fica





Para que o mundo lhe conceda a graça de ser feliz. O caminho é este, tem pedra, tem sol, tem bandido, mocinho, tem você amando, tem você sozinho, é só escolher: ou vai ou fica .


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

OBRIGADO POR INSISTIR!





Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer. Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crónica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!
Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu actuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.”
“Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.”
“Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.”
“Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.”
Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?
“Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.”
“Obrigada por insistir para que eu não fosse àquela festa, eu não teria aguentado ver os dois juntos, eu não teria aturado, eu não evitaria outro escândalo, obrigada por ficar segurando minha mão e ter trancado minha porta.
Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.”
Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.








Não há maior pressão do que a falta de resposta(s).

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011



E essa inquietação?




"Eu finjo que não me importo, 
mas no fundo isso machuca."


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

OdoYá...




Dia 2 de fevereiro - dia de festa no mar”, segundo a música do compositor baiano Dorival Caymi. 


É o dia em que todos vão deixar os seus presentes nos balaios organizados pelos pescadores do bairro do Rio Vermelho junto com muitas mães de santo de terreiros de Salvador, ao lado da Casa do Peso, dentro da qual há um peji de Yemanjá e uma pequena fonte. 

Na frente da casa, uma escultura de sereia representando a Mãe d´Água baiana, Yemanjá

Desde cedo formam-se filas para entregar presentes, flores, dinheiro e cartinhas com pedidos, para serem levados à tarde nos balaios que serão jogados em alto mar. 

É única grande festa religiosa baiana que não tem origem no catolicismo e sim no candomblé. (Dia 2 de fevereiro é dia de N.Sra. das Candeias, na liturgia católica, e esta Nossa Senhora é mais freqüentemente paralelizada com Oxum, a vaidosa deusa das águas doces). 





Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. 

Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta (AMADO,1956;137) 


Dois de fevereiro é - oficiosamente - feriado na Bahia. É considerada a mais importante das festas dedicadas a Yemanjá.

Odorico Tavares narra que, nos outros tempos, os senhores deixaram seus escravos uma folga de quinze dias para festejarem a sua rainha em frente ao antigo forte de São Bartolomeu em Itapagipe.

Às 4 da tarde é que saem os barcos que levam os balaios cheios de oferendas a serem lançados em alto mar. Quando as embarcações voltam para a terra os acompanhantes não olham para trás, que faz mal. Diz a lenda, que os presentes que Yemanjá aceita ficam com ela no fundo do mar, e os que ela não aceita são devolvidos à praia pela maré, à noite e no dia seguinte, para delícia dos meninos, que vão catar nas praias os presentes não recebidos por ela. 

Jorge Amado conta que se Iemanjá aceitar a oferta dos filhos marinheiros é que o ano será bom para as pescarias, o mar será bonançoso e os ventos ajudarão aos saveiros; se ela o recusar,... ah! as tempestades se soltarão, os ventos romperão as velas dos barcos, o mar será inimigo dos homens e os cadáveres dos afogados boiarão em busca da terra de Aiocá

No Brasil Yemanjá é orixá do mar e considerada mãe de todos os orixás de origem ioruba (os de origem daomeana - Omolu, Oxumaré e às vezes Exu - são tidos como filhos de Nanã). 

Yemanjá é festejada em muitos locais na Bahia. Vive e é festejada na Ribeira, em Plataforma; na península de Humaitá, onde fica a igrejinha de Montserrate; na Gameleira, na ilha de Itaparica; no Rio Vermelho, frente à igreja de Santana, e em muitos outros lugares conhecidos pelos seus filhos e filhas de santo, que vão aí oferecer seus presentes e fazer suas obrigações.





                                    



"O canto da lavadeira

É da África que vem
O molejo das cadeiras
É da África que vem
O tempero da comida
É da África que vem
Nossa raça, nossa fibra
É da África que vem

A sede de liberdade
É da África que vem
A luta por igualdade
É da África que vem
O perfume de Nanã
É da África que vem
A estrela da manhã
É da África que vem

O samba e o axé
Martelo de Xangô
A sanha e a fé
O som do agogô
Os blocos de afoxé
O encanto de Iemanjá
Oh, África mulher
Oh, mãe dos Orixás…"


        [África mulher]


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

RAAAWR!







   Algo não é verdade simplesmente porque alguém disse isso, mas no meu caso, a verdade é uma coisa muito consciente e a resposta dos meus questionamentos foi uma espécie de dejà vu - constante e contemplador.

    Não se trata de uma grande novidade, tampouco alguma situação inesperada. Eu simplesmente repeti em voz alta um pensamento que há tempos não sai da minha cabeça.

             O problema não é o que aquele ser assim, o outro ser assado... não, nunca foi essa a origem do problema. A resposta é mais simples do que parece. A solução reside justamente em minhas projeções e expectativas ilusórias.

A questão é que simplesmente eles não eram você. [simply because they were not you]

                      Não é que não me faziam felizes ou eu não os quisesse. O grande problema é a projeção de perfeição que eu vejo reiteradamente em você e, o quão bom isso é, mesmo que idealizado.

                    E eu não posso ser feliz assim.

Desse modo eu nunca poderei. Enquanto eu não dividir o hipotético do real e separar muito bem as coisas não vai haver espaço pra mais nada, vai ser só uma grande dúvida que vai me acompanhar, deixando aparentes as arestas internas e o vulto que me acompanha diuturnamente.

E mais uma vez eu me pergunto se são somente projeções que a minha mente fértil produz, ou se é verdade o que os meus sentimentos me dizem.

                        E mais uma vez essa dúvida me assombra: até que ponto vai essa imaginação toda?

     Sendo certo que outrora ficou provado que eu tinha razão e por não agir no tempo certo acabei por perder, acabei por deixar de viver, acabei por me perder no caminho, e por isso, restou a dor latente daquele sentimento não vivido por falta de atitude.

                                         E aí, por medo de viver, por medo de sentir acabou restando apenas as seqüelas causadas por feridas que insistem em não cicatrizar.


[simply because they were not you]